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VITAMINAS NA DIETA DE BOVINOS

Diovana M. Santos

Universidade Federal de Lavras- 3rlab

As vitaminas são moléculas complexas essências a diversas reações metabólicas do organismo. Estão presentes nos alimentos e são exigidas em pequenas quantidades, sendo então chamadas de micronutrientes, porém sua deficiência pode causar distúrbios nutricionais. Os ruminantes precisam de todas as vitaminas devidamente equilibradas para o funcionamento adequado do organismo. Os microrganismos do rúmen são capazes de sintetizar algumas vitaminas (vitaminas do complexo B e vitamina K), durante a fermentação dos nutrientes da dieta, e então estas vitaminas raramente são suplementadas para bovinos (exceto para animais jovens). As vitaminas podem ser classificadas em dois grupos: lipossolúveis ou hidrossolúveis.

 Lipossolúveis:

Vitaminas A, D, E, K, encontradas em alimentos lipídicos e sua absorção ocorre de forma semelhante aos lipídeos, necessitam da bile para sua absorção e são transportadas pela circulação linfática. Uma das principais características dessas vitaminas é sua capacidade de armazenamento no organismo, podendo ser armazenadas em grandes quantidades, uma vez que seu mecanismo de eliminação é bastante lento.

 Hidrossolúveis:

Vitaminas do Complexo B:Vitaminas B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3, B5, B6 (piridoxina), B12 e Ácido Fólico; Vitamina H (biotina) e Vitamina C (ácido ascórbico), encontradas principalmente em alimentos de origem vegetal, são componentes de sistemas de enzimas essenciais, e ao contrário das vitaminas lipossolúveis, as hidrossolúveis não são normalmente armazenadas no organismo em quantidades apreciáveis, estas são geralmente excretadas em pequenas quantidades na urina; sendo desejável seu suprimento diário ao animal, com o intuito de se evitar a interrupção das funções biológicas normais.

Vitamina A (Retinol): Vitamina de maior importância pra os bovinos, essencial para crescimento; espermatogênese; crescimento ósseo; responsável pela formação e crescimento normal dos tecidos epiteliais; e manutenção da visão. Sua deficiência pode levar a retardamentos no crescimento, queda na imunidade e perda de apetite. Além disso, pode levar à cegueira noturna, falha na formação de mucopolissacarídeos do epitélio (queratinização de mucosas de órgão e pele), falhas reprodutivas (ovulação em atraso, cios silenciosos, baixa concepção, abortos e retenção de placenta), e má espermatogênese.

Vitamina D3 (Colecalciferol): Favorece a absorção intestinal, atua na mobilização de cálcio e fósforo, e retenção e deposição de cálcio nos ossos. Sua necessidade é suprida nos animais pela exposição à luz solar que leva à sua síntese na derme. Animais em dietas de elevados níveis de concentrados e em locais protegidos de radiação solar devem receber suplementação. A absorção da vitamina D tem eficiência de apenas 50 %, sendo assim, as dosagens utilizadas em tratamentos devem suprir o dobro da exigência do animal. Sua deficiência pode levar ao raquitismo em animais jovens (figura 1) e osteomalácia em adultos, e ainda pode causar febre vitular em vacas em lactação (as vacas Jersey são mais sujeitas à doença por apresentarem proporcionalmente maior produção de colostro).

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Figura 1- Bezerro com raquitismo.

Vitamina E (Tocoferol): Atua como antioxidante biológico no organismo do animal, impedindo a formação de peróxidos e com grande importância no metabolismo dos ácidos graxo essenciais. Entre suas variações, a forma mais importante encontrada é o alfa-tocoferol. É muito utilizada para facilitar a absorção e armazenamento de Vitamina A e protege as membranas biológicas contra a oxidação da camada de lipídeos e desnutrição das mesmas. Sua absorção está ligada à formação de micelas do intestino e o transporte na corrente sanguínea é feita pelas lipoproteínas. Sua deficiência pode levar a distúrbios reprodutivos como infecções uterinas, retenção de placenta, mastite e cistos ovarianos e em vacas adultas também causa diarreias e abortos. A “doença do músculo branco” também é causada pela sua deficiência, uma condição degenerativa que afeta os músculos, causando danos severos ao tecido e gera incoordenação de movimentos e rigidez no andamento, em casos graves pode levar à morte pela flacidez do músculo cardíaco (figura 2).

 Figura 2A – musculatura da região da coxa apresentando áreas pálidas distribuídas bilateralmente. Figura 2B- coração apresentando áreas pálidas típicas da DMB.

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A fraqueza é observada nos músculos posteriores, e os bezerros podem ter seu crescimento retardado e degeneração dos músculos esqueléticos e cardíacos. O tratamento pode ser realizado pela aplicação parenteral dos sais de vitamina E disponíveis comercialmente, ou pelo fornecimento de uma adequada fonte desses elementos na dieta.

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