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SAIBA IDENTIFICAR OS SINTOMAS E CONTROLAR O MÍLDIO NAS UVAS AMERICANAS

Gabriel Castillo

Universidade Federal de Lavras-3rlab

A videira (Vitis spp.) quando cultivada em condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de fungos (elevada umidade e temperaturas amenas) fica sujeita a diversas doenças, estas podendo ocasionar graves prejuízos caso não forem controladas.

O míldio, cujo o agente causal da doença é o pseudofungo Plasmopara viticola é a principal doença fúngica da videira no Brasil. Esta causa sérios prejuízos, podendo infectar todas as partes verdes da planta, causando maiores prejuízos quando afeta as flores e os frutos.  Tem causado maiores prejuízos em regiões com alta precipitação, principalmente no final da primavera e no verão.

Sabe-se que a doença tem sua origem na América do Norte e introduziu no Brasil juntamente com as videiras americanas em São Paulo.  As variedades de uvas européias (Vitis vinifera L.) são mais suscetíveis a doença do que as americanas (V. labrusca L.) e híbridas. Os principais prejuízos estão diretamente ligados com a parcial a total destruição dos frutos, podendo também prejudicar a futura produção quando provoca a desfolha e consequentemente o poder produtivo da planta. Essa doença é marcada na história da fitopatologia mundial, uma vez que foi uma das primeiras doenças a ser controlada por um fungicida.

Sintomas

Sabe-se que o principal sintoma nas folhas é o aparecimento de manchas amarelas, translúcidas contra a luz solar, estas apresentam aspecto encharcado e são conhecidas como “mancha de óleo” (figura 1).  Em condições de baixa umidade, essa mancha pode ficar por muito tempo sem apresentar frutificação, sendo assim não corre o risco de se tornar uma fonte de contaminação. Já nas condições de alta umidade e calor na face inferior correspondente a mancha ocorre o aparecimento de eflorescência branca, de aspecto brilhante, sendo essa mancha os corpos de frutificação do fungo.

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Figura 1- Mancha de óleo na folha da videira.

As folhas infectadas podem sofrem dessecamento e se tornar marrons e posteriormente caindo. E quando ocorre a queda prematura de folhas impede que a planta desenvolva os cachos e sarmentos.

Nos cachos todas as partes podem ser prejudicadas pela doença (figura 2). Nas inflorescências prova a deformação das mesmas, deixando-as com aspecto de gancho. Na floração, o fungo pode provocar o escurecimento e destruição das flores afetadas. As bagas infectadas apresentam uma coloração pardo-escura e são facilmente destacadas do cacho, não havendo formação de eflorescência branca característica, sendo chamada de “peronóspora larvada”, uma vez que possui sintomas semelhantes aos causados pela mosca das frutas. Dessa maneira, os ataques na inflorescência e nos cachos são mais prejudiciais, uma vez que afetam diretamente o produto final, podendo comprometer toda a produção.

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Figura 2- Sintomas de míldio no cacho da videira.

Os brotos e sarmentos são infectados nos estádios iniciais de crescimento, ou nas extremidades, antes da lignificação. Sabe-se que os ramos atacados apresentam coloração marrom escura. Os nós são mais sensíveis que entrenós, os ramos novos atacados secam, e esse dano é mais comum durante a poda de inverno.

Controle

É recomendado como controle preventivo a adoção de práticas que melhorem a aeração e insolação da copa, diminuindo assim o tempo em que as folhas permanecem úmidas. Para isso, é necessário: utilizar espaçamento adequado; evitar áreas de baixada ou que fiquem voltadas para o sul; boa disposição de espaço dos ramos sobre o aramado; poda verde (desbrota,desfolha e entre outras) além de realizar uma adubação bem equilibrada.

O controle químico deve ser realizado com os fungicidas que estão registrados para a cultura. Estes que podem atuar na superfície (de contato), de profundidade e ação sistêmica.

Os fungicidas de contato protegem somente a superfície coberta pela aplicação, sendo assim não atua nos fungos que estão no interior do tecido. Além disso, possuem pouca persistência na planta, uma vez que são facilmente destruídos por altas temperaturas, radiação solar e lavados pela água da chuva.

Os fungicidas que atuam em profundidade podem atuar sobre o fungo localizado no interior das folhas até dois dias após a infecção, entretanto não são translocados na planta e assim como os de contato atuam somente nas partes pulverizadas. Dessa maneira, podem ser utilizados quando a videira apresentar os sintomas iniciais do míldio, além de ser necessária uma boa pulverização com uniformidade.

Já os fungicidas sistêmicos circulam pela planta, podendo atuar sobre o fungo até três dias após a infecção. Como atua de maneira sistêmica podem proteger toda a planta. São mais eficazes que os demais, entretanto não é recomendado sua aplicação mais de duas vezes por safra, uma vez que podem induzir a resistência do fungo a este grupo de fungicidas. É recomendado que a aplicação deste grupo de fungicidas nos estádios de maior sensibilidade da cultura, ou seja, o período que vai da floração até o inicio da maturação. Além disso, se torna interessante estabelecer m programa de tratamento com a rotação de produtos. O uso de cymoxanil + mancozeb (penetrante+contato) ou metalaxil+mancozeb (sistêmico+contato) tem apresentado eficácia de 90% no controle da doença.

 

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BAGAÇO DE UVA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES

Diovana M. Santos

Universidade Federal de Lavras- 3rlab

 A vitivinicultura no Brasil está presente desde o extremo sul do país até as proximidades da linha do Equador, com destaque para duas regiões: o estado do Rio Grande do Sul, correspondendo a cerca de 90% da produção nacional; e os polos de frutas de Petrolina-PE e Juazeiro-BA. O aproveitamento desses bagaços (figura 1) pode ser uma alternativa para baratear os custos de produção, com substituição total ou parcial dos ingredientes habituais e mantendo resultados satisfatórios, já que cerca de 12-15% do peso total é descartado.

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Figura 1- Bagaço de uva.

O bagaço é constituído por engaços, folhelho e grainha ricos em fibras, proteínas, açúcares, minerais e ácidos graxos insaturados, com características nutricionais como alta concentração de carboidratos fibrosos e cerca de 15% de proteína bruta. Grande aporte de ácido linoleico e compostos fenólicos com capacidade antioxidante (para vacas em período final de lactação, recomenda-se apenas 10% para não alterar a composição do leite, levando a aroma e sabor desagradáveis). O folhelho é a porção utilizada na alimentação animal, que é basicamente constituído das películas após a desidratação e separação dos engaços e grainhas, geralmente apresenta umidade inferior a 13% e celulose inferior a 22%.

Esses bagaços podem ser divididos em dois grupos: o bagaço doce ou fresco – que provém da elaboração de vinhos de “bica aberta”, não fermenta com os mostos, contendo essencialmente líquido açucarado e pouco ou nenhum álcool. Assim, antes de submeter os bagaços brancos à destilação, torna-se indispensável deixá-los fermentar, a fim de que haja transformação do açúcar em álcool- e o bagaço tinto ou fermentado – subproduto da vinificação por maceração, o mosto é fermentado em contato com as partes sólidas, estas, depois de prensadas, contêm certa quantidade de vinho e, por consequência, de álcool.

Podemos citar dois fatores limitantes na utilização desse alimento: o alto teor de umidade, que pode ser solucionado com o armazenamento em forma de silagem; e outro ponto é o alto teor de taninos, que são menos nocivos para ruminantes que transformam substâncias tóxicas em produtos simples e não tóxicos.

Os resíduos da vinificação têm uma média de degradação ruminal da ordem de 54,36%, com alto teor mineral (10,99%) e teor de FDN de 52,53%. A adoção do bagaço ainda leva a uma diminuição na produção de metano no rúmen, sem diminuir o desempenho produtivo dos animais.

Um estudo realizado na Austrália, utilizando vacas leiteiras em fase final de lactação mostra que a substituição de feno de alfafa por bagaço de uva, não compromete a produção e nem a composição do leite e diminui emissões de metano (20%) devido aos óleos, taninos condensados e outros componentes que geram mudanças na população microbiana do rúmen (tabela 1).

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Tabela 1- Efeito da substituição de feno de alfafa por bagaço de uva na dieta de vacas leiteiras.

É importante observar a questão logística, pois em longas distâncias, o volume e peso desse subproduto podem encarecer o frete e, portanto tornar-se um fator limitante. Sendo assim, é mais interessante à adoção desse alimento quando o produtor está localizado próximo às indústrias vinícolas.