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SISTEMA WEAN TO FINISH

Giane Lima Nepomuceno

Universidade Federal de Lavras – 3rlab.

O “wean to finish” (figura1) é um sistema de criação de suínos ainda é novo no Brasil, e não existem muitos estudos a respeito do tamanho de grupos e área disponível/animal ideal para suínos criados numa mesma instalação, mas acredita-se que serão obtidos bons resultados, principalmente, no que se refere ao bem-estar e o desempenho dos animais.

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Figura 1: Sistema wean to finish.

Wean to finish consiste basicamente na eliminação da fase de creche dentro do sistema de produção convencional, ou seja, os animais neste caso são desmamados e alojados em um galpão onde permanecem até o abate. Dentro deste método de produção, os leitões são desmamados com 28 dias, e permanecem em uma mesma instalação do desmame ao abate (Medeiros, 2013). Este sistema foi criado com o objetivo de melhorar o desempenho produtivo, reduzir o trabalho com a movimentação e/ou transferência dos animais, e concomitantemente auxiliar o estado sanitário do plantel (Wolter et al., 2001).

O sistema wean to finish pode ser manejado em dois modelos: tradicional e com duplo alojamento. No modelo tradicional os leitões são alojados em média com 6kg e são mantidos até o peso de abate, em geral 115 a 145kg, variando conforme o mercado. Já no modelo de duplo alojamento, são alojados o dobro de leitões, com o objetivo de aproveitar o espaço da instalação e também distribuir os custos, desta forma reduzindo os gastos por animal com aquecimento (energia/gás) e mão de obra. Neste sistema quando os leitões atingem 25kg, metade dos animais alojados é transferido para uma terminação tradicional. Com isso, os animais criados no sistema WF tradicional são transferidos apenas uma vez e no sistema WF com alojamento duplo metade dos animais é transferido apenas uma vez, enquanto a outra metade é transferida duas vezes (Piva e Gonçalves, 2014).

VANTAGENS DO SISTEMA:

  • Menores custos com transporte de leitões;
  • Menores custos com mão de obra (embarque, desembarque, lavagem de galpões, formação de lotes/baias);
  • Redução de estresse por transporte e mistura de animais;
  • Fluxo de produção simplificado;
  • Potencial diminuição na mortalidade;
  • Potencial aumento no desempenho;
  • Menor consumo de água e produção de dejetos;
  • Maior flexibilidade: é possível  dobrar  o  número  de  animais  alojados durante as primeiras 7 semanas após o desmame;
  • A utilização mais eficiente das instalações: a instalação  fica  sem  animais (lavagem, vazio sanitário) 2,1 vezes por ano  comparado a uma creche

LIMITAÇÕES DO SISTEMA:

  • Custo da instalação: maior área construída;
  • Custo de energia e ou gás (aquecimento);
  • Necessidade de maior treinamento de toda a equipe – mais funcionários necessitam serem treinados para trabalhar com leitões pequenos;
  • O fluxo de produção deve ser grande o suficiente para preencher uma instalação de 1.200 animais;
  • Menor número de lotes por ano.
  • Maior desafio para leitões desmamados leves (menos de 5kg) ou de baixa idade (<18 dias).

Para que os melhores resultados sejam obtidos deste sistema, as instalações devem ser capazes de alojar animais recém-desmamados até o abate, para isso é de extrema importância que alguns ajustes sejam feitos, de modo que se adequem a animais de tamanhos tão diferentes. Segue abaixo algumas considerações.

COMEDOUROS: Recomenda-se que sejam do tipo automático (figura 2) e com divisórias sólidas, garantindo espaço de 32 (animais abatidos aos 100kg) a 36cm (animais batidos aos 125-145kg), além disse é necessário que o comedouro disponha de sistema de regulagem de altura eficiente e prático, para regulagens constantes, acompanhando o crescimento dos animais.

BEBEDOUROS: Do mesmo modo que os comedouros os bebedouros devem ser ajustáveis, permitindo que se ajustem ao tamanho dos leitões. Indica-se que para leitões de até 25kg a vazão por minuto seja de 500ml, já para leitões acima de 25kg a vazão deve ser de 1 litro. É possível utilizar bebedouros do tipo “taça”, “chupeta fixa” e “chupeta pendular”.

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Figura 2: Sistema wean to finish comedouro e bebedouro automático.

Gabardo et al (2013), acompanhou a incidência de doenças entéricas e respiratórias em suínos criados no sistema WF e concluiu-se  que o período e a incidência das doenças são os mesmos quando comparados aos animais criados em sistemas convencionais, entretanto, sendo necessários mais estudos comparativos para comprovar este resultado. Levando em consideração também outras variáveis que podem interferir na condição sanitária do rebanho, como por exemplo: manejo, limpeza e desinfecção, condições ambientais como temperatura e umidade.

Com todas as informações descritas acima, pode-se concluir que o sistema wean-to-finish é uma opção viável para a criação de suínos. Entretanto, é necessário um planejamento estratégico antes de sua instalação para que sejam feitas as devidas adequações no sistema, no intuito de que ele possa responder de maneira efetiva quando os animais forem alojados. Além disso, são necessários mais estudos levando em consideração as realidades encontradas no Brasil, que podem não ser as mesmas encontradas em outros países.

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