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SOBRESSEMEADURA DE GRAMÍNEAS DE INVERNO EM PASTOS TROPICAIS

Pedro Felipe Martins da Silva UFLA/3rlab

O principal desafio na produção animal a pasto é o ajuste em relação à oferta de forragem, com a demanda de alimentos por parte dos animais do plantel, essa dificuldade no ajuste se deve a oferta irregular de pastos durante o ano em decorrência de fatores climáticos que limitam o seu respectivo crescimento. A alternância de períodos de altas e baixas produções acaba por gerar a necessidade de se realizar alguns ajustes na oferta ou na demanda, podemos considerar como estratégias de sincronismo entre a oferta e a demanda de forragem, a comercialização de animais, aquisição de alimentos, vedação de pastos e conservação de forrageiras (fenagem, silagem e a utilização de pré- secados). No entanto algumas estratégias citadas acima podem ser inviáveis, dependendo da atividade desempenhada na propriedade rural, o uso de forrageiras de clima temperado sobressemeadas em pastagens de forrageiras de clima tropical, representa uma técnica de produção de forrageira muito viável em inúmeras realidades.

As forrageiras de clima temperado mais comumente cultivadas no Brasil são o azevém (Loluim multiforium) e a aveia- preta (Avena spp), tais espécies forrageiras apresentam como características marcantes a boa produção de matéria seca por hectare, alta porcentagem de proteína bruta e alta digestibilidade, tornando assim um ótimo alimento para animais de altas produções. Atualmente o uso dessas forrageiras não é mais exclusivo na região sul do Brasil como anteriormente, observa-se cada vez mais o cultivo dessas espécies no centro- sul brasileiro onde ocorre no inverno temperaturas amenas e déficits hídricos, onde com o uso da irrigação o cultivo de forrageiras de clima temperado produz satisfatoriamente (tabela 1).

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• Técnica de Sobressemeadura

Por definição sobressemear é estabelecer uma cultura anual em área já ocupada por outra cultura perene, sem eliminar a cultura a perene, aproveitando dessa forma um período durante o ano na qual a cultura perene está dormente ou pouco produtiva. No Brasil observa-se que essa técnica é mais comum sobre pastos de Cynodons e Panicuns de porte baixo, pois os mesmos são manejados mais usualmente em áreas de alta fertilidade sobre sistemas mais tecnificados, onde as condições são ideais para o desenvolvimento das pastagens perenes temperadas. Porém para o efetivo sucesso técnico são recomendadas algumas observações que serão descritas nos parágrafos abaixo.
Na região sudeste quando pensamos no cultivo de forrageiras de clima temperado devemos selecionar os locais onde temos uma boa fertilidade do solo (saturação por base recomendável próximo a 80% e alta porcentagem de matéria orgânica) e com disponibilidade de realização da irrigação, tendo em vista que os invernos nessas regiões têm como característica a baixa incidência de precipitação, que por sua vez é grande responsável por diminuir a produtividade do sistema.

Antes de realizarmos a semeadura, devemos proceder ao rebaixamento da forrageira de verão até a altura normal de resíduo de pós-pastejo, após a saída dos animais, devemos realizar o plantio, geralmente junto com as sementes é misturado o calcário ou o superfosfato simples no intuito de visualizar a deposição das sementes sobre o pasto. Após a semeadura novamente os animais são liberados no respectivo piquete onde promove mais um rebaixamento da forrageira (diminui a competição por luz) e também promove o enterrio das sementes. Para a aveia preta a taxa de semeadura fica entre 70 kg e 100 kg por hectare e para o azevém a taxa fica entre 30 e 50 kg por hectare, devemos observar que em plantios em linha o gasto com sementes é menor e em plantios a lanço a taxa de semeadura é maior.
Geralmente no caso de plantio de aveia o pastejo inicial ocorre por volta de 30 a 40 dias após a semeadura, com altura de planta variando entre 30 e 40 cm, com altura de resíduo de pós- pastejo por volta de 10 cm ( para promover uma rebrota eficiente). No caso de sobressemeadura de azevém o pastejo ocorre entre 45 e 55 dias após a semeadura, com altura de planta variando entre 20 e 25 cm (figura 1), com altura de resíduo pós-pastejo entre 6 e 7cm.

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Figura 1- Azevém forrageiro em altura ótima de entrada para o pastejo.

• Considerações finais

A utilização de forrageiras temperadas nos sistemas de produção animal no centro-sul brasileiro tem a finalidade de servir como uma alternativa de volumoso barato nas dietas dos animais. Tendo em vista que as mesmas apresentam alto valor nutritivo, tais forrageiras podem ser usadas em sistemas de alta produção leiteira, podendo em muitos casos substituir em partes o uso de silagem de milho.

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