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A CULTURA DO MARACUJÁ E O PAPEL DA ABELHA MAMANGAVA

Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras – 3rlab

O maracujá é uma das frutas mais produzidas no Brasil e proporciona inúmeros benefícios para nossa saúde. Conhecido por ser um calmante natural, o maracujá é rico em vitamina B e C, ajuda a combater o mau colesterol e a emagrecer. É uma fruta de clima tropical, produzida em várias regiões do país, sendo as espécies mais produzidas: maracujá-amarelo (Passiflora edulis f.flavicarpa), maracujá-roxo (Passiflora edulis) e o maracujá-doce (Passiflora alata). A fruta pode ser destinada para a indústria de fabricação de suco, e para isso o maracujá-amarelo é o mais cultivado ou para o consumo in natura sendo mais consumido o maracujá-doce, pela baixa acidez apresentada.

Os solos mais indicados para a produção de maracujá são os arenosos ou levemente argilosos, bem drenados porque o encharcamento favorece o aparecimento de doenças no sistema radicular. Precipitação pluviométrica entre 1.200 mm a 1.400 mm distribuídas durante o ano, pH do solo entre 5,0 e 6,5 e altitude entre 100m e 900m são boas condições para implantação da cultura.

A implantação de pomares comerciais é feita por sementes, objetivando sempre plantas sadias, vigorosas e produtivas, que apresentem frutas com alto teor de polpa, cavidade interna grande e boa acidez. Existe também a possibilidade de propagação por enxertia ou estaquia, utilizadas para controle de fungos e produção de clones para geração de sementes melhoradas.

O maracujazeiro floresce apenas em condições de muita luminosidade, acima de 11 horas diárias, sendo assim, tem-se recomendado plantios nos meses de abril e junho, o que permite o crescimento vegetativo durante o período de inverno com floração a partir de setembro e início de colheita em novembro.

Aproximadamente 50 dias após a semeadura, as mudas podem ser plantadas, devendo apresentar de 25 a 30 cm de altura. Plantadas em covas de 40 x 40 x 40 cm abertas entre a linha das estacas e previamente adubadas. O espaçamento entre as linhas recomendado varia de 2,0 a 3,5 metros dependendo da utilização ou não de maquinário durante a condução do pomar.

O maracujazeiro é uma planta que necessita de apoio para sua condução por ser trepadeira. Nos pomares, o sistema mais utilizado é o de espaldeira. A espaldeira é formada por estacas espaçados de 5 em 5 metros na linha de plantio. Completa-se a espaldeira com a colocação de um arame nº 12 ou 14 preso no topo dos mourões (figura 1).

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Figura 1: Pomar de maracujá, mostrando a espaldeira formada por mourões.

A planta é dependente de polinização cruzada, ou seja, ela não produz se as flores não forem polinizadas com pólen de outra planta. Existe uma relação interessante entre o maracujazeiro e a abelha mamangava. A planta oferece néctar e pólen às mamangavas, e estas ao ir busca-los acabam realizando a polinização da planta. A polinização consiste no transporte de grãos de pólen da antera (órgão reprodutor masculino) de uma flor até o estigma (órgão reprodutor feminino) de outra ou da mesma flor. Alguns estudos apontam que o uso indiscriminado de defensivos agrícolas, principalmente quando relacionados a aplicação aérea e à deriva (quando não se atinge o alvo) dos produtos, tem levado ao desaparecimento das mamangavas, tais acontecimentos além de gerarem impactos ecológicos negativos, provocam também problemas econômicos. Com a diminuição das mamangavas a produção do maracujá é diminuída, para evitar que isso ocorra os produtores são obrigados a contratar pessoas para realizar a “polinização manual”, que consiste na transferência de pólen das flores pelo próprio homem através do dedo, isso resulta no aumento do custo da produção do maracujá. O que antes era um “serviço” gratuito, se tornou caro (figura 2).

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Figura 2: Mamangava coletando néctar e pólen da flor do maracujazeiro.

No campo as lagartas são as principais pragas e constituem sério problema no início da cultura. Percevejos, mosca do fruto e ácaros são pragas que também estão presentes nos pomares, porém possuem menor importância. Quanto as doenças, a fusariose e a podridão do colo são as mais sérias do maracujazeiro, e o único controle é o arranque e queima das plantas atacadas.

A colheita dos frutos varia de 6 a 9 meses após o plantio. O ponto de colheita é caracterizado pela coleta dos frutos no chão. Antes de realizar a coleta é necessário passar entre as filas e derrubar frutos maduros que ainda não caíram ou que estão presos entre os ramos da planta. Após a colheita os frutos perdem peso rapidamente à medida que permanecem no chão ficam murchos dificultando a comercialização.

A média de produção em frutos é de 8 a 10 t/ha para o primeiro ano de plantio, 15 a 20 t/ha no segundo e 12 a 14 t /ha para o terceiro. As frutas podem ser comercializadas fresca em feiras livres, mercados municipais, atacadistas, indústria de sucos e para exportação.

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