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CULTIVO DO JILÓ

Cristiane Andrade Pinto

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

O jiló é cultivado principalmente na região Sudeste do Brasil. O estado do Rio de Janeiro é o principal produtor nacional e as produtividades médias variam de 20 a 60 t/ha. As cultivares de jiló disponíveis têm sabor amargo ou extremamente amargo, de formato redondo ou alongado. O mercado dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro preferem cultivares de frutos alongados e de coloração verde-clara.

As cultivares do Estado de São Paulo apresentam frutos redondos de coloração verde-escura. Mais recentemente foram disponibilizados no mercado alguns híbridos de jiló, com rendimento até 40% superiores aos das cultivares de polinização aberta.

Para a formação de mudas de jiló, devem ser adquiridas sementes de boa qualidade fisiológicas, físicas e sanitária. As mudas devem ser produzidas em bandejas de plástico ou isopor (figura 1), utilizando substratos comerciais ou preparados na propriedade, garantindo que estejam livres de patógenos. Sempre que possível, as mudas devem ser produzidas em cultivo protegido, fornecendo todos os tratos culturais, como irrigações fertilizantes e manejo fitossanitários. Em boas condições, a germinação ocorre dentro de duas semanas.

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Figura 1: Mudas de jiló em bandeja de isopor

O transplantio deve ser efetuado assim que as mudas estiverem com quatro a seis folhas definitivas e o sistema radicular bem desenvolvido. O período da semeadura até o transplantio pode variar em função da temperatura ambiente, principalmente durante a germinação e emergência das plântulas, o que ocorre geralmente entre 30 e 40 dias após a semeadura.

Alguns cuidados devem ser tomados durante o transplantio: irrigar o local definitivo de plantio antes do transplantio para evitar estresse das mudas; transplantar preferencialmente em dias nublados ou ao final da tarde de dias ensolarados; não podar folhas e raízes para evitar a entrada de patógenos.

Recomenda-se o preparo do solo por meio de aração, gradagem e calagem, quando houver necessidade. Os espaçamentos mais comumente utilizados são 1,00 m a 1,5 m entrelinhas e 0,7 m a 1,00 m entre plantas. O plantio pode ser feito em sulco ou covas que devem cerca de 15 cm de profundidade.

 O jiló é uma planta rústica, podendo ser cultiva nos mais diversos tipos de solo. Contudo, solos com boa drenagem, de textura média, com pH de 5,5 a 6,8 e saturação de base acima de 70% são os mais favoráveis ao cultivo do jiloeiro. A adubação deve seguir os princípios da análise de solo. Doses excessivas de fertilizantes podem ocasionar queda no número de frutos e, consequentemente, na produtividade.

Doses elevadas de fósforo reduzem o crescimento das raízes. Para o nitrogênio e potássio, uma boa distribuição ao longo do seu desenvolvimento proporciona maior pegamento de flores e formação de maior número de frutos de padrão comercial. Deve-se destacar que o aumento no tamanho de peso dos frutos não está unicamente relacionado às adubações de cobertura, sendo esse também efeito do intervalo entre colheitas.

 O jiloeiro apresenta maior resistência à seca em relação às outras solanáceas e não tolera excesso de água no solo, principalmente por ocasionar a podridão do colo. Entretanto, necessita de boa disponibilidade de água durante todo o ciclo, especialmente durante a frutificação. O sistema de irrigação que melhor se adapta à cultura é o gotejamento, evitando o excesso de umidade e problemas fitossanitários. Além disso, como as entrelinhas não recebem água, a infestação com plantas daninhas é reduzida. Pode-se optar pela fertirrigação, proporcionado, assim, redução de custos com adubos e mão de obra.

A mosca-branca e os pulgões estão entre as principais pragas que atacam a cultura do jiló. Em relação à mosca-branca, os maiores prejuízos observados na cultura devem-se à injeção de toxina no sistema vascular do jiloeiro, que afeta sua fisiologia, e transmissão de viroses. Já a saliva dos pulgões tem a ação tóxica sobre as plantas, induzindo aparecimento de necroses, principalmente ao longo das nervuras. Além dos danos diretos, pulgões são vetores de viroses e estimulam o aparecimento de fungos de coloração escura (fumagina) sore a superfície das folhas que afetam a fotossíntese das plantas.

O manejo dessas pragas pode ser realizado com a instalação de telado em viveiros e sementeiras, utilização de barreiras com milho, sorgo ou crotalárias ao redor da área de plantio, cobertura morta e pulverização direcionada de inseticidas registrados nas folhas infestadas. Quanto às doenças, pode-se citar antracnose, já que o patógeno ataca as plantas em qualquer fase de desenvolvimento. Em sementeiras, provoca o tombamento das mudas, porém as lesões em folhas e caules são poucos numerosas. É nos frutos (figura 2) que seus danos são mais importantes, tanto em campo como na fase pós-colheita.

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Figura 2: Antracnose no fruto do jiloeiro

Os frutos do jiló são colhidos verdes, cortando-se o pedúnculo dos frutos com uma faca ou tesoura. A colheita do jiló inicia-se entre 80 e 100 dias após semeadura, sendo realizadas de uma a duas colheitas semanais, podendo prolongar-se por três a cinco meses, de acordo com o manejo e com as condições nutricionais e sanitárias da planta. A presença de manchas amarelas indica o processo de maturação, o que deixa o fruto com um sabor mais amargo.

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