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FERRUGEM DA GOIABEIRA

Cristiane Andrade Pinto

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

Um dos maiores desafios que a cultura da goiabeira impõe são os problemas fitossanitários. A ferrugem é causada pelo fungoPuccinia pssidii, é uma das principais doenças da goiabeira. A doença ocorre em diferentes espécies da família Myrtaceae e é também considerada de grande importância nos plantios de eucalipto. O patógeno infecta tecidos jovens da goiabeira, em plantas adultas inicialmente aparecem pequenas pontuações amareladas e necróticas (figura1), que evoluem para manchas circulares, causando abortamento de flores, necrose em brotações novas e queda acentuada de botões e frutos. As perdas decorrentes da redução da produtividade e da qualidade dos frutos podem ser severas, havendo relatos de 80 a 100% de perdas na ausência de controle químico.

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Figura 1:Ferrugem fruto da goiabeira

O fungo pode infectar tecidos da parte aérea em formação, como folhas, ramos, botões florais e, principalmente os frutos. Inicialmente, há o aparecimento de pequenas pontuações amareladas e pulverulentas, correspondentes as esporos do patógeno. Com o desenvolvimento da doença as lesões evoluem até coalescerem, ocupando grandes porções do tecido vegeta, podendo ocorrer o encarquilhamento de ramos e a presença e lesões corticosas, onde antes era encontrada a massa pulverulenta de coloração amarelada.

Nas folhas, as lesões são circulares e adquirem uma coloração marrom ou palha (figura 2). Nos botões florais e frutos, onde os danos costumam ser mais severos, as lesões circulares tornam-se necróticas, de coloração negra. A infecção em flores resulta em abortamento e os frutos atacados caem ou tornam-se deformados e sem nenhum valor comercial. Nos pontos anteriores cobertos pelos esporos, pode-se observar a presença de fissuras que permitem a infecção de microrganismos secundários, responsáveis por podridões nos frutos, como por exemplo a antracnose. Em viveiro, o fungo pode provocar uma necrose na extremidade dos caulículos e nas novas, levando à perda da muda infectada.

Figura 2: Ferrugem folha da goiabeira

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A doença torna-se severa sob condições de alta umidade relativa e temperatura média em torno de 22º C na fase da emissão dos botões florais até frutos de aproximadamente 4 cm de diâmetro, uma vez que o avanço da doença é limitado com o amadurecimento dos tecidos. Quando brotações e frutos jovens são infectados ocorre a esporulação do patógeno entre sete e 15 dias, e os esporos disseminados por ventos, chuvas e insetos somente resultarão em novas infecções quando da disponibilidade de novas brotações e frutos jovens. Para que ocorra a infecção por parte do fungo, os esporos necessitam de umidade relativa maior ou igual a 90%, e pelo menos oito horas de temperatura entre 18 e 25ºC.

Preconiza-se um manejo preventivo por meio de medidas culturais que permitam um bom arejamento, como poda e espaçamento de plantio adequado, realizar adubações equilibradas, de acordo com a análise do solo e a necessidade das plantas, evitando o excesso de nitrogênio. Em algumas cultivares tolerantes, as quais são destinadas à industrialização, e em menor escala ao consumo in natura, enquanto que outras são moderadamente resistentes. Plantas da família das Mirtáceas (eucalipto, jabuticabeira, jambeiro, araçazeiro, marmeleiro), que funcionam como fonte de inoculo, devem ser eliminadas das proximidades do pomar comercial.

Reduzir a fonte de inoculo do patógeno por meio da poda em períodos que permitam a vegetação e frutificação fora dos meses de inverno é importante. O plantio da goiabeira em regiões que apresentam baixa umidade relativa e/ou inverno pouco pronunciado pode dificultar o surgimento da doença. A aplicação de fungicidas cúpricos deve ser realizada preventivamente logo após o início das rotações, repetindo-se com intervalos de 14 dias até os frutos apresentarem 3 cm de diâmetro (após esse tamanho, os frutos tornam-se sensíveis ao cobre)

Após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença deve-se realizar uma aplicação de fungicida sistêmico do grupo triazol, estrobilurina ou triazol + estrobirulina. Caso as condições climáticas sejam favoráveis à doença, reaplicam em intervalos de 14 dias, fazendo alternância com fungicida de outro grupo químico até os frutos atingirem 4 cm de diâmetro, quando os mesmo tornam-se resistentes à infecção. Efetuar , no máximo, três a seis aplicações do mesmo produto, a depender das recomendações do fabricante, durante a safra da cultura, para evitar a formação das raças resistentes do patógeno.