Arquivo da categoria: Fruticultura

VEJA OS PROCEDIMENTOS PARA IMPLANTAÇÃO DA CULTURA DO MORANGO

Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras – 3rlab

Cultivado principalmente por agricultores familiares, o morango é uma cultura relativamente nova, apesar de já ser bem conhecida pelos brasileiros. O lançamento da primeira cultivar foi feito pelo IAC Campinas em 1960. A partir dessa data o plantio se estendeu e desenvolveu muito principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Fonte de vitamina C, previne gripes, infecções e ainda fortalece os dentes e ossos. Possui antocianina (substancia que dá sua cor) e auxilia na prevenção do envelhecimento precoce da pele e da arteriosclerose, esses são alguns dos benefícios do morango.

O destino final do morango é bem variado, pode ser consumido in natura como também destinado a indústria para fabricação de sorvetes, doces, geleias, entre outros. O morango é destinado até mesmo para a indústria de cosméticos, para fabricação de cremes, xampus e sabonetes.

O morango na realidade é um pseudofruto, ou seja, um falso fruto. Os reais frutos de um morango são as chamadas “sementes do morango”, que são frutos do tipo aquênio (um tipo de fruto seco), e que contêm uma única semente cada um. É uma planta perene de ciclo curto que atinge geralmente de 10 a 30 cm de altura e possui folhas trifoliadas (cada folha apresenta três folíolos).

É possível encontrar variedades de morango que se desenvolvem bem nas variadas faixas de temperatura, porém o ideal é que a temperatura não ultrapasse os 22ºC durante o período de frutificação. Regiões que possuem dias ensolarados e noites frias, geralmente são as que produzem os melhores morangos, sendo importante ressaltar que as flores e os frutos não suportam chuvas intensas, geadas ou granizo.

Para dar início ao processo de produção é preciso selecionar a variedade ideal para a finalidade desejada do produtor, seja para consumo in natura ou para a indústria por exemplo. O morango é plantado através de mudas oriundas de estolões do morangueiro. O estolão é um caule rastejante que cresce lançando raízes e brotos, dando origem a novas plantas (figura 1).

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Figura 1 Ilustração dos estolões

É importante adquirir as mudas de locais certificados e idôneos. As mudas enraizadas em bandejas (figura 2), são tolerantes ao estresse no processo de transplante, entretanto durante o processo de transporte elas devem estar protegidas, evitando sol e vento.

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Figura 2 Muda de morango com bom aspecto

A época de plantio pode variar dependendo do clima da região, porém comumente o plantio ocorre do fim do verão ao fim do outono, sendo que, as cultivares de dias longos, cultivadas em regiões de clima temperado, são também plantadas na primavera.

Geralmente, para o plantio do morango são necessários canteiros com 25 a 30 centímetros de altura e 0,80 a 1,20 metro de largura. O espaçamento entre as plantas é de 35 por 40 centímetros. Metade do caule da muda deve ficar ao nível do solo, para evitar dificuldades na emissão de novas folhas, o que ocorre quando plantada muito profunda ou no surgimento de raízes laterais, devido ao plantio superficial. O solo mais adequado para a cultura é o arenoso-argiloso, bem drenado e rico em matéria orgânica, com o pH entre 6 e 6,5.

O morango pode ser propagado a partir de sementes, mas essa técnica é mais utilizada por produtores com objetivo de obter novas variedades. Mudas oriundas de sementes demoram muito mais para crescer e começar a frutificar, sendo assim comercialmente mais inviável do que adquirir mudas de estolões.

Cobrir o solo com plástico preto é uma estratégia utilizada para proteger o morango do contato com a terra, da incidência de fungos e do crescimento de plantas invasoras (figura 3). Geralmente esse plástico é colocado cerca de 30 a 40 dias após o transplante das mudas.

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 Figura 3 Solo coberto com plástico preto

Os morangos devem ser colhidos diariamente ou pelo menos a cada dois dias, geralmente a colheita ocorre de 60 a 80 dias após o plantio das mudas. As perdas na colheita ou pós-colheita podem ser significativas pelo fato de ser um fruto muito perecível e delicado. Durante a colheita manual é de grande importância classificar e separar os morangos quanto ao grau de maturação e tamanho, para que se tenha uma uniformidade do produto que vai para o comércio.

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MOSCAS DAS FRUTAS, ENTENDA OS DANOS CAUSADOS POR ESSE INSETO À FRUTICULTURA MUNDIAL

Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras – 3rlab

A agricultura brasileira se destaca não só pela produção de grãos, mas também pela fruticultura, um setor de grande importância para o país. No ranking dos países que mais produzem frutas no mundo, o Brasil se encontra na terceira colocação, atrás apenas da China e da Índia. O país produz uma grande variedade de frutas, como: laranja, banana, limão, mamão, uva, entre outras. Os estados de maior destaque na fruticultura são:  Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, esses estados responderam por 96% da exportação de frutas em 2014.

O controle de pragas é um dos desafios da fruticultura e uma das pragas de maior expressão econômica é a mosca das frutas, inseto da ordem Diptera que pertence à família Tephritidae. Existem dois gêneros mais importantes: Anastrepha e Ceratitis capitata.

O adulto de Ceratitis capitata mede cerca de 5 mm de comprimento; possui coloração amarelo escuro, olhos castanho-violáceos, tórax preto na face superior, com desenhos simétricos na cor branca; abdome amarelado com duas listras transversais acinzentadas (figura 1).

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Figura 1 Inseto adulto do gênero Ceratitis capitata. Fonte: USDA

O gênero Anastrepha mede aproximadamente 6,5 mm de comprimento, possui coloração amarela, tórax marrom e asas com uma faixa sombreada em forma de “S”, que vai desde a base até a extremidade e outra em forma de “V” invertido na borda posterior (figura 2).

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Figura 2 Inseto adulto do gênero Anastrepha. Fonte: USDA

Três fases compõe o ciclo de vida desses insetos: adulta, fase em que a mosca vive entre a vegetação, larva que se estabelece em um fruto e pupa que se encontra instalada no solo. Frutos atacados pela mosca das frutas apresentam amolecimento e podridão da polpa devido a alimentação e deslocamento das larvas do insetos no interior do fruto (figura 3).

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Figura 3 Amolecimento da polpa causado pelas larvas. Fonte: Embrapa

Os frutos atacados podem chegar a cair da planta e ficar mais suscetíveis ao ataque de outros patógenos. Devido ao dano causado pela praga, o fruto perde qualidade para consumo e para processos de industrialização, como por exemplo a fabricação de sucos. A fêmea da mosca pode causar lesões no tecido do fruto pelas puncturas de prova que realiza com objetivo de testar a qualidade do fruto para depois realizar a postura dos ovos, causando manchas escurecidas de aproximadamente 0,5 mm devido a morte do tecido do fruto (Figura 4).

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Figura 4 Lesões externa causada pela fêmea da mosca

Para controle químico é recomendado a utilização de isca tóxica (atrativo alimentar mais inseticida) para minimizar o impacto sobre os inimigos naturais. A pulverização é feita com bico do tipo leque direcionado para a copa das árvores e deve ser feita em ruas alternadas.

Como método de controle cultural é importante que seja feita a coleta dos frutos maduros na planta e a catação dos caídos no chão, para impedir a emergência de adultos da mosca. Esses frutos devem ser depositados em uma vala de 50 a 70 cm de profundidade.

A utilização de parasitóides e predadores não é satisfatória para controlar a população das moscas das frutas, devido ao uso indiscriminado de aplicações de inseticidas que acaba afetando também a população dos inimigos naturais.

Outra forma de se controlar a mosca é por meio de radiação gama, que possibilita esterilizar os machos de moscas das frutas e utiliza-los para serem liberados na área de produção. Os machos esterilizados irão competir com os machos selvagens, reduzindo consequentemente, os acasalamentos férteis e a população da praga a cada geração.