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CONTROLE QUÍMICO DA ANTRACNOSE DO SORGO

Gabriel Castillo

Universidade Federal de Lavras-3rlab

A cultura do sorgo é suscetível a diversas doenças, muitas dessas podem limitar à sua produção, dependendo das condições ambientais e da suscetibilidade da cultivar. De acordo com o ano e região em que o sorgo é cultivado, diversos patógenos podem atacar. Estes que podem causar doenças foliares e da panícula, de agentes causais de doenças sistêmicas, além de fungos de solo causadores de podridões radiculares e viroses.

Dentre essas doenças, encontra-se a antracnose. Esta que é causada pelo patógeno Colletotrichum graminicola e é uma das doenças mais importantes da cultura do sorgo. De fácil disseminação, a antracnose está presente em todas as áreas de plantio de sorgo no Brasil e causa danos significativos à cultura.

Os maiores prejuízos são encontrados quando há alternância de condições secas e úmidas aliadas a elevadas temperaturas. Além disso, estão associados ao grau de suscetibilidade da cultivar, ocorrência de condições ambientais favoráveis, agressividade das raças do patógeno que predominam em determinada área e pelo estádio fisiológico da planta. Sabe-se que o patógeno apresenta uma alta variabilidade genética, dificultando assim o controle da doença por meio da resistência genética.

A antracnose pode atacar toda a parte aérea da planta de sorgo.  Sabe-se que a fase foliar da doença é a mais típica e pode causar perdas superiores a 50% na produção de grãos de cultivares suscetíveis, em casos mais severos. A doença pode também causar perdas significantes para o sorgo cultivado para silagem e pastejo.

Os ataques mais severos da antracnose ocorrem em períodos prolongados de temperatura e umidade elevadas, coincidindo com a fase de formação dos grãos. O fungo pode sobreviver como microesclódios, micélio e conídios nos restos de cultura e em sementes infectadas. Sua disseminação ocorre por meio do vento e respingos de chuvas.

Sintomas

A fase foliar da antracnose pode ocorrer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, entretanto nos cultivares suscetíveis têm sido observadas 30 a 40 dias após a emergência. Os principais sintomas caracterizam-se por lesões elípticas a circulares, com até 5 mm de diâmetro (figura 1)

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Figura 1- Sintomas típicos da antracnose foliar no sorgo.

As manchas se desenvolvem de pequenos centros circulares de coloração acinzentada, com a presença de margens avermelhadas, ou castanhas dependendo da cultivar. Em determinadas condições ambientais, já citadas acima, as manchas aumentam em número e tamanho e se espalham, cobrindo assim grande parte da folha. Nessas condições, também é possível observar a produção de esporos, formando uma massa de coloração creme.

A infecção da nervura central da folha (figura 2) pode ocorrer nos cultivares que não apresentam os sintomas foliares da doença, sendo assim a infecção da nervura pode ser considerada independente à infecção foliar. As lesões na nervura central se caracterizam pelo formato elíptico a alongado, de coloração avermelhada a preta. Pode-se concluir que nos casos em que ocorreram infecções foliares e da nervura simultaneamente as perdas foram maiores.

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Figura 2- Lesões da antracnose na nervura central da planta do sorgo.

Controle

De acordo com as recomendações da Embrapa, a principal medida de controle da antracnose é a utilização de cultivares resistentes. Entretanto, essa prática tem sido dificultada devido à alta variabilidade apresentada pelo fungo, fazendo assim com que a cultivar resistente seja superada pela adaptação rápida de uma nova raça do patógeno. Dessa maneira, é interessante utilizar da rotação de genótipos contendo diferentes genes resistentes.

O controle químico deve ser utilizado quando necessário, a associação de fungicidas tem mostrado bons resultados, principalmente a aplicação de Epoxiconazole + Pyraclostrobina, seguido de Ciproconazole + Azoxistrobina.

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