Arquivo da categoria: Avicultura de corte

GLUTAMINA NA DIETA DE AVES E SUÍNOS

DIOVANA M. SANTOS
Universidade Federal de Lavras | 3rlab

A melhoria na eficiência da utilização dos nutrientes da dieta é um fator muito relevante para o sucesso da produção e saúde dos animais. A glutamina ou L-glutamina é classificada como aminoácido não essencial, pois pode ser sintetizada a partir de outros aminoácidos ou nutrientes da ração, com participação em funções metabólicas relevantes, como o transporte e a doação de nitrogênio, o controle do equilíbrio ácido-básico e a integridade tecidual. O trato gastrintestinal é o principal órgão de consumo e de utilização da glutamina.

Em condições de elevada degradação proteica, a glutamina atua como regulador metabólico para aumentar a síntese e reduzir o catabolismo proteico. Incluindo períodos de estresse, crescimento rápido dos tecidos e doenças, no qual a síntese endógena pode não ser suficiente. Os principais tecidos produtores de glutamina são os músculos esqueléticos, responsáveis pela manutenção dos níveis plasmáticos e produção para outros tecidos utilizarem-na, mas também pode ser sintetizada por vários outros tecidos.

O metabolismo intracelular da glutamina é regulado através de duas enzimas principais: a enzima glutamina-sintetase, que catalisa a síntese de glutamina a partir de glutamato e amônia e a enzima glutaminase, que catalisa a hidrólise da glutamina e leva à formação de glutamato e amônia. A amônia é usada para produzir glutamina, que então é transferida para outros tecidos para ser usada como combustível, especialmente para células do sistema imune e enterócitos. Atua ainda como sinalizador ou regulador de demandas metabólicas, aumentando a síntese de proteína, diminuindo a degradação de proteína no músculo esquelético e estimulando a síntese de glicogênio no fígado (figura 1).

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Figura 1- Metabolismo de síntese, liberação e consumo de glutamina pelas células.

A glutamina também é doadora de nitrogênio para síntese de purinas e pirimidinas, que são elementos básicos dos nucleotídeos, sendo essenciais para o reparo da mucosa intestinal. Está envolvida na neurotransmissão, diferenciação celular, manutenção do pH e também é considerada como principal substrato energético de células de proliferação rápida, como por exemplo, linfócitos ativos, além de aumentar a resposta imunológica, e aliviar a toxemia (presença de toxinas de bactérias no sangue).

O efeito da glutamina sobre a reconstituição da mucosa intestinal tem sido investigado, devido ao fato desse aminoácido ser o principal metabólito que nutre os enterócitos. Após a refeição, a absorção de glutamina ocorre no lúmen intestinal através das microvilosidades dos enterócitos, sendo que quanto maior a concentração de glutamina no lúmen, maior será seu transporte através do sistema transportador de nitrogênio, dependente de sódio, e sua liberação no sangue é via sistema porta. Mas o mecanismo pelo qual a glutamina estimula a proliferação de células intestinais não é bem conhecido, estudos apontam que existem dois eventos associados com a oxidação da glutamina e a proliferação de células intestinais: estimulação das trocas sódio/hidrogênio na membrana do enterócito e aumento da atividade específica da enzima ornitina descarboxilase (ODC), aumentando a produção de poliaminas, que atuam na maturação e regeneração da mucosa intestinal (figura 2).

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Figura 2- Esquema da estrutura da mucosa intestinal (A), eletromicrografia de enterócitos (B) e eletromicrografia dos vilos, com detalhe para região de extrusão no ápice dos vilos (C).

Em situações de elevada degradação proteica (infecção, inflamação, início da lactação ou subnutrição), a glutamina pode atuar como regulador metabólico, aumentando a síntese de proteína e reduzindo seu catabolismo. Quando o organismo encontra debilitado, como por exemplo, em períodos de estresse calórico, a suplementação exógena de glutamina pode ser alternativa para suprir as exigências de energia e de nitrogênio do intestino. Durante o estresse muscular, a concentração intracelular de glutamina é reduzida, resultando em alta degradação de proteína.

A adição de produtos com ação trófica na mucosa intestinal e no sistema imune dos animais de produção em situações de estresse traz melhores condições para realizar os processos de digestão e absorção de nutrientes da dieta e, então haja uma melhora no desempenho.

A glutamina é o aminoácido livre encontrado em maior concentração no leite de porcas (21 dias de lactação) e é considerada a principal fonte energética para os enterócitos dos leitões, mas as dietas utilizadas no desmame possivelmente não suprem a necessidade deste aminoácido para garantir a alta atividade metabólica dos enterócitos, além de sua proliferação nas primeiras semanas pós-desmame. Durante o processo de hidrólise da glutamina, são gerados produtos tais como fumarato e aspartato, que podem entrar diretamente no ciclo de Krebs para gerar ATP, esclarecendo o papel da glutamina como substrato energético para os enterócitos dos leitões. O uso da glutamina na dieta de leitões desmamados tem apresentado resultados positivos na manutenção da estrutura morfológica do intestino no período do desmame. Em animais alimentados com 1% de glutamina na primeira semana pós-desmame há uma melhora de 25% na conversão alimentar e evita a atrofia dos vilos, além de melhorar a resposta imune frente à infecção por Escherichia coli. A suplementação de 0,8% de glutamina em dietas à base de milho e farelo de soja é eficaz para aumentar o ganho de peso corporal, o peso do intestino delgado e o crescimento de outros órgãos viscerais em leitões submetidos a desmame precoce aos dez dias de idade.

Em frangos de corte infectados com Eimeria sp notou-se melhor recuperação dos animais quando foram suplementados com glutamina nas primeiras semanas de vida.  Portanto, a glutamina tem ação trófica sobre o epitélio intestinal, aumentando sua capacidade funcional, favorecendo o desempenho das aves por meio da maior capacidade de digerir e absorver os nutrientes da dieta e consequentemente melhorando a saúde das aves.

A suplementação com glutamina traz melhoras no desempenho e nas características da mucosa intestinal, tornando-se uma ferramenta importante para o bom desenvolvimento e mantença do estado fisiológico de animais deprimidos ou submetidos ao estresse. Porém, são necessárias mais pesquisas para determinar os níveis adequados de inclusão na dieta destes animais.

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SAIBA SOBRE MANEJO DE AVES POEDEIRAS

Giane Lima Nepomuceno

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

Galinhas poedeiras ou de postura são aquelas destinadas à produção de ovos, sendo este considerado de alto valor nutricional, podendo a sua qualidade ser influenciada por fatores como condições de manejo, instalações, nutrição e ambiente.

A criação de aves pode ser dividida em três fases:

  • 1ª Fase – Cria ou Inicial: de 1 dia até 6 semanas de idade
  • 2ª Fase – Recria: de 7 a 17 semanas de idade
  • 3º Fase – Produção: de 18 a 76 semanas de idade, podendo ainda se estender de 90 até 120 semanas se for realizada uma ou duas mudas forçadas. Geralmente esta prática está diretamente ligada ao preço do ovo no mercado.

Cria ou Inicial

Regular a altura das cortinas ao longo do dia e da noite para manter o ambiente do criatório em condições ideais de conforto térmico, ventilação e umidade relativa. A altura das cortinas é regulada de acordo com as condições internas do galpão para que as aves tenham conforto. Após quinze a vinte dias devem-se manter as cortinas abaixadas, a não ser em momento de frio e ou chuvas de vento.

Manter os bebedouros iniciais, ou pendulares sempre limpos e com água fresca no mínimo duas vezes ao dia. Conferir os bebedouros de válvula regularmente, para evitar sujeiras, entupimentos e vazamentos.

Colocar fina camada de ração para evitar desperdício pelo fato de os pintinhos ciscarem e comerem sobre a ração. Deve-se repor a ração nos comedouros no mínimo 4 vezes ao dia. Nos comedouro tubulares rodar os pratos para a renovação de ração no mínimo 4 vezes ao dia. A altura do prato em relação ao tubo deve ser regulada para evitar grandes quantidades de ração no prato evitando desperdício.

Deve-se regular a altura dos bebedouros e comedouros a cada semana, facilitando o acesso das aves:

  • Bebedouro: estar na altura do dorso, ou acima da cabeça em caso de válvula(figura 1).
  • Comedouros: estar na altura do papo.

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Figura 1: Bebedouro: estar na altura do dorso, ou acima da cabeça em caso de válvula

Fase – Recria

O desenvolvimento corporal é um fator importante de controle do manejo, é medido pelo peso médio do lote, pois nos permite verificar se a ave está se desenvolvendo de acordo com a linhagem de origem. A análise de peso nos permite ainda, garantir a uniformidade do lote, que serve para avaliar o desenvolvimento geral diante das práticas de manejo na granja.

Lotes que possuam desenvolvimento de peso dentro dos limites padrões de peso corporal da linhagem escolhida para trabalhar e uma uniformidade em torno de 80% são garantias de maturidade sexual a uma idade fisiologicamente adequada e um desempenho de produção economicamente esperado.

Assim, temos que as pesagens devem ser feitas da seguinte maneira:

  • Pesagens feitas semanalmente durante toda a fase de recria que vai desde 7 semanas até 18 semanas. Deve-se definir um dia para esta atividade e realizar sempre no mesmo horário, isto para causar o mínimo estresse;
  • Pesar uma amostra entre 1 a 3 % do lote;
  • Pesar aves de diferentes locais ao longo de todo o galpão, tomando as amostras de aves a serem pesadas ao acaso;
  • Realizar as pesagens individuais e estes pesos anotados em uma ficha apropriada para a análise de uniformidade. Utilizam-se balanças do tipo dinamômetro ou relógio, suspensas na estrutura do galpão. Para facilitar a pesagem, manter a balança calibrada e na altura dos olhos;
  • As aves devem ser contidas pelas duas pernas, impedindo que se debatam evitando contusões;
  • O cálculo da uniformidade é feito pelo peso médio, adicionando 10 %, tendo assim o limite inferior e superior da amostra. Posteriormente, verifica-se o número de aves que estão dentro destes padrões.

Fase – Produção

Durante sua fase de produção, definida como o ápice do processo, a galinha precisará de cuidados especiais, como mantença de um ambiente tranquilo e evitar movimentação no local onde elas estiverem alojadas. Geralmente a melhor forma de controlar o desenvolvimento corporal das aves é a pesagem semanal até a 30º semana. Este manejo é fundamental para manter a uniformidade dos lotes e consequentemente, uma maior produtividade (figura 2).

Outro cuidado indispensável é o controle das moscas no recinto, principalmente quando o foco for esta fase de produção. Quanto à presença do esterco, este só deverá ser retirado do galpão junto com todo o lote ou quando for realizar a muda forçada. A retirada tardia do esterco torna este mais seco e de melhor qualidade

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Figura 2: Aves precisam de ambiente tranquilo e evitar movimentação no local onde elas estiverem alojadas

Fase final da produção

Com a saída das aves, o galpão deve ser preparado para a recepção de novas aves, para tanto, é indispensável os seguintes cuidados:

  • Retirar restos de ração nos comedouros e água dos bebedouros;
  • Retirar equipamentos removíveis, promovendo completa lavagem e desinfecção destes;
  • Retirar a cama ou esterco, ensacar e isolar da área da granja;
  • Varrer pisos, gaiolas, telas e estrutura do telhado;
  • Passar vassoura de fogo, e posteriormente lavar com jato de água, inclusive as cortinas;
  • Repor os equipamentos após a secagem do galpão, levantar as cortinas e proceder a sua total desinfecção;
  • Lavar os reservatórios de água, passar uma solução com desinfetante pela tubulação, seguida de água limpa;
  • Promover uma limpeza dos arredores do galpão eliminando penas, entulhos e matos; – Programar um vazio sanitário por um período mínimo de 15 dias;
  • Para a criação em gaiolas, lavar todo o equipamento e fazer os reparos necessários.

É importante manter as aves sempre dentro do peso recomendado, de acordo com a genética adotada pelo fornecedor. As quantidades devem ser aumentadas ou reduzidas, de acordo com o estado corporal, lembrando sempre que as futuras poedeiras devem estar bem nutridas, sem obesidade.

PRINCIPAIS PRAGAS NA AVICULTURA

Diovana M. Santos

Universidade Federal de Lavras- 3rlab

Os prejuízos econômicos na produção de aves podem ser causados por inúmeros fatores, e um desses fatores é a presença de pragas no ambiente de criação. São consideradas pragas as espécies nocivas ao desenvolvimento agrícola ou que destroem a propriedade humana, perturbam os ecossistemas, ou que provocam doenças epidêmicas no homem ou em outros animais. Essas pragas se adaptam ao sistema produtivo e acabam por competir diretamento por alimentos, água e abrigo com as aves. Algumas possuem significativo potencial de dispersão de patógenos comprometendo a segurança sanitária do plantel e a segurança alimentar do produto final, portanto é necessário minimizar a presença dessas pragas ou até mesmo eliminar completamente.

Os ectoparasitas são os principais conhecidos da avicultura, e também outros artrópodes como os ratos, que juntos causam danos consideráveis na indústria avícola, por isso é importante conhecer e repassar esse conhecimento para todos os envolvidos na produção para se evitar os danos causados para o desempenho dos animais. Os ectoparasitas se instalam na superfície do corpo do animal (pele ou penas), com preferência por áreas como cavidade auricular, narinas, traquéia e sacos aéreos. E podemos citar os pricipais representantes dessa classe:

Ácaros: principalmente na avicultura de postura; no ambiente costuma estar presente nas frestas do galpão e no esterco acumulado nas vigas do galpão. Pode provocar anemia, perda de peso, queda na produção e queda de plumas. As principais medidas de prevenção são: examinar frequentemente as aves, oferecer nutrição adequada, manter as instalações bem higienizadas e quarentena para aves novas. O controle químico pode causar resistência, além de ser difícil e oneroso, já o controle biológico pode ser feito por tesourinhas (Strongylopsalis mathuriini).

Os principais hematófagos são Dermanyssus gallinae (ácaro vermelho), Ornithonyssus sylviarum (ácaro da pena) e Ornithonyssus bursa (piolhinos dos ninhos). E também tem o ácaro da traquéia e sacos aéreos: Sternostoma tracheacolum, e o causador de sarna: Knemidocoptes gallinae.

Carrapatos: tem hábito noturno, se escondem em frestas e rachaduras das paredes. São responsáveis pela transmissão da bouba aviária, causam anemia, diarréia de coloração esverdeada e alta mortalidade. O controle e a prevenção devem ser feitas por dedetização. Principal carrapato na avicultura: Argas miniatus(carrapato de galinheiro).

Moscas: maior profiliferação de moscas em fezes acumuladas recentemente (umidade), esterco acumulado abaixo dos pisos, nas áreas onde o esterco é molhado pela chuva, nos pontos úmidos onde caem restos de ração e onde caem e se quebram ovos no chão. O controle deve ser feito com o correto manejo do esterco. As principais moscas da avicultura são: Musca domestica e Stomoxys calcitrans (figura 1).

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Figura 1- Principais moscas de aviários.

Pulgas: o controle deve ser feito retirando todas as aves para fora da zona infectada; remover todos os comedouros e bebedouros e limpar com água e sabão; remover toda palha, serragem ou outros tipos de lixo e queimar e pulverizar a área com inseticida eficaz contra as pulgas. O tratamento é feito com vaselina. Principal pulga: Pulgas Sticktight.

Piolhos: controle e tratamento com Auto-nosódio: pulverização ou adicionado à ração. Principais piolhos: Menopon gallinae, Lipeurus caponis e Menacanthus stramineus.

Outra praga importante na avicultura que podemos citar são os besouros. Responsáveis por grandes prejuízos na produção, transmitem doenças, causam desuniformidade do lote, alteração na conversão alimentar e danos nas instalações. No ambiente se escondem em fendas, rachaduras, abaixo do solo ou de comedouros. O controle deve ser feito com duas medidas executadas em conjunto:

 Fermentação da cama: retirar em torno de 1 m das laterais, amontoando-a junto com o restante e em seguida molhá-la e estender uma lona sobre a cama.

Controle químico: o produto é administrado, após o período de 8 a 10 dias de fermentação, sobre todo o galpão (figura 2).

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Figura 2 – Controle de besouros em aviário.

E por fim, falarem sobre os roedores, que são importantes artrópodes considerados pragas. Sua presença está associada a disponibilidade de alimento, água e abrigo. O controle deve ser feito com a adoção de medidas integradas: inspeção, medidas sanitárias, controle químico, controle mecânico e monitoramento.