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Principais doenças da cultura do alface e métodos alternativos para controle.

Lucas Machado  

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

Doenças de plantas são anomalias provocadas na maioria dos casos por microrganismos, como bactérias, fungos, nematóides e vírus. Pelo fato das hortaliças serem cultivadas de forma intensiva e em pequenas áreas escalonadas, a incidência de doenças pode ser alta e prejudicar a produção. Os plantios mais velhos acabam hospedando patógenos e disseminando para plantios mais novos. Assim, como em todas as culturas, o plantio da alface oferece riscos ao produtor quando o assunto é doença.

De forma simples e objetiva, esse material visa apresentar os sintomas e métodos de controle das principais doenças da cultura do alface, que facilitará a diagnose da doença e a escolha dos melhores métodos de controle.

  1. Mancha de cercospora, causada pelo fungo Cercospora longíssima.

É uma doença de parte aérea e os principais sintomas são: presença de manchas circulares, de coloração parda com bordas bem definidas e centro mais claro. Incide primeiramente nas folhas mais velhas. Com o avanço da doença estas manchas se aproximam umas das outras (coalescem), danificando grande parte do limbo foliar (figura 1).

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Controle: Plantio de sementes e mudas sadias e de boa qualidade, plantio em solos bem drenados e que não acumulem água. Para permitir uma melhor ventilação, aumentar o espaçamento em períodos quentes, evitar plantios próximos a lavouras velhas, irrigar de preferência por gotejamento, eliminar restos culturais e realizar rotação de cultura.

  1. Septoriose,

Assim como a mancha de Cercospora, a Septoriose tambem é uma doença de parte aérea e ataca principalmente as folhas, apresentando manchas com contornos irregulares. No tecido afetado, é possível observar um aspecto desidratado, de coloração parda e com pontos escuros visíveis a olho nu, que são as estruturas do patógeno (figura 2).

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Controle: Os métodos de controle para essa doença são os mesmos da mancha de cercospora citados anteriormente.

  1. Podridão-mole

Essa doença causa murcha e morte das plantas, quando retirada do solo a planta apresenta intensa podridão mole na região da coroa, podendo a lesão se estender e causar a necrose de toda a planta, que emite um odor desagradável e característico (figura 3).

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Controle: Como medida de controle, o recomendado é utilizar substrato livre de patógenos, plantio de mudas sadias em solo bem drenado, aumentar o espaçamento de plantio em períodos quentes, irrigar preferencialmente por gotejamento, eliminar restos culturais e promover a rotação de cultura.

  1. Murcha-de-fusário

Doença que ataca o caule, limitando o desenvolvimento da planta, promovendo o amarelecimento e a murcha das folhas. Ao cortar longitudinalmente o caule, pode-se verificar o escurecimento do xilema (figura 4).

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Controle: Recomenda-se o plantio de variedades resistentes, plantio de sementes certificadas e em solos drenados, utilização de substrato livre de patógenos, evitar irrigação excessiva e umidade, utilizar agua de boa qualidade e evitar fermentos nas plantas, eliminar as plantas doentes, promover a rotação de culturas, utilizar material orgânico esterilizado nos canteiros e limpar o maquinário antes das atividades.

  1. Murcha-de-esclerócio

Os sintomas dessa doença são semelhantes aos apresentados pela podridão-de-esclerotínia. São formados microescleródios menores, com formato irregular e de coloração marrom ou preto, similar a grãos de pólvora (figura 5).

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Controle: As mesmas recomendações feitas para a murcha-de-fusário são validas e devem ser aplicadas como medida de controle para a murcha-de-esclerócio.

  1. Nematoide-das-galhas

Doença que ataca as raízes, tendo como sintoma mais característico a presença de galhas e inchaços nas raízes. Geralmente, as raízes infectadas são mais curtas e com menor número de raízes laterais (figura 6).

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Como reflexo, pode surgir sintomas na parte aérea, como: amarelecimento, nanismo, cabeças de alface menores e mais leves, folhas mais soltas e murchas. É possível observar também, massas de ovos como pontos mais escuros na superfície das raízes galhadas.

Controle: Como medidas gerais para controle, é recomendado o plantio de cultivares resistentes, eliminação de plantas voluntarias da mesma família do alface, eliminar plantas doentes, solarização (método de desinfestação do solo para controle de fitopatógenos), uso de plantas antagonistas (plantas que combatem patógenos), alqueive (pousio) e outras medidas já mencionadas anteriormente.