Compost Barn: Monitoramento do Sistema de Compostagem e os Benefícios na Produção e Qualidade de Leite

 

Juliano Bergamo Ronda  Mestre, Médico Veterinário, Consultor em Nutrição de Ruminantes e Professor do Curso de Medicina Veterinária da Universidade de Uberaba, MG –Parceiro do 3rlab

 

Introdução

O produtor de leite ao escolher as instalações que irão ser desenvolvidas para o alojamento de vacas leiteiras, deverá considerar alguns fatores, entre estes podemos destacar: nível de intensificação do sistema, potencial genético do rebanho, disponibilidade de capital para investimento e preço da terra.

Uma instalação adequada permite que pequenas propriedades possam alojar maior número de animais, intensificando o manejo e utilizando a maior área de terra para a realização de plantio. Isto implicará em quantidade maior de produção de leite por área trabalhada.

No brasil existem diferentes sistemas de produção de leite, desde os sistemas baseados exclusivamente no uso de pastagem extensivas e intensivas, até os sistemas de confinamento, entre estes podemos destacar Compost Barn. Segundo Black et al. (2013) entre as razões para a implantação de um sistema de Compost Barn estão: conforto animal, reflexo na produção de leite, facilidade de manejo, longevidade das vacas, custo de implantação, controle de dejetos no ambiente e uso da cama como fertilizante.

O Compost Barn, também denominado como estábulo com material em compostagem, foi desenvolvido nos Estados Unidos na década de 80 e apresenta crescente número nas propriedades leiteiras do Brasil.  Este sistema trata-se de um galpão com presença de ventiladores e uma área de descanso com cama aberta comum para todas as vacas do mesmo lote, sendo esta área separada do corredor de alimentação ou cocho por um beiral de concreto.

O sistema apresenta como objetivo principal melhorar o conforto e bem-estar dos animais, melhorando consequentemente os índices sanitários e produtivos das vacas. Isso normalmente é importante em fazendas que passam por duas circunstâncias diferentes no mesmo ano, onde no inverno tudo ocorre da melhor forma e o produtor apresenta excelentes números produtivos e econômicos, e por outro lado no verão onde na maioria das vezes aumentam-se as incidências de problemas de mastite clínica, patologias podais e retenção de placenta. Com isso, muitos produtores acabam buscando pelo confinamento em sistema Compost Barn.

 

Sistema de Compostagem

O diferencial do sistema Compost Barn é a compostagem que ocorre ao longo do tempo com o material da cama e a matéria orgânica dos dejetos dos animais. Com o processo de compostagem ocorrerá produção de dióxido de carbono (CO2), água e calor a partir da degradação dos componentes orgânicos da cama. As fezes e urina das vacas fornecem os componentes orgânicos (carbono, nitrogênio, água e microrganismos) que serão primordiais para o processo de compostagem.

O oxigênio usado no processo de compostagem é resultante do revolvimento e aeração diária que deve ser realizada na cama. Para o sucesso no processo de compostagem são necessários a manutenção de níveis adequados de oxigênio, água, temperatura, quantidade de matéria orgânica e atividade dos microrganismos, que produzem calor suficiente para secar o material e reduzir a população de microrganismos causadores de doenças, como exemplo, podemos citar a mastite clínica e as patologias podais. Para que a umidade seja controlada, a temperatura da cama deve variar de 54 a 65˚C a 30 cm da superfície da cama, ou seja, o controle da temperatura da cama é uma forma de avaliação da qualidade da compostagem.

Na prática, os dejetos produzidos pelas vacas irão ser misturados a cama, e passar por um processo natural de compostagem. A utilização do resíduo das camas, após a retirada das instalações, torna-o mais interessante e sustentável, pois o produto pode ser distribuído na área de lavoura ou vendido para produtores.

 

Instalações do Compost Barn

Assim como no sistema Free-stall, o Compost Barn também possui pista e corredor de alimentação com bebedouros. A diferença principal entre os dois sistemas é a área de descanso, sendo o sistema free-stall com camas individuais e no caso do Compost barn as camas são coletivas.

Para que ocorra melhor distribuição e conforto das vacas, a área de cama deve apresentar entre 15 a 20 m²/vaca, para que todas tenham a possibilidade de se deitar ao mesmo tempo e ainda conseguir levantar e movimentar-se em direção aos cochos e áreas de bebedouros. Apesar da área de 15 a 20 m²/vaca ser considerada o ideal, não é difícil encontrar sistemas em fazendas brasileiras onde as vacas apresentam área inferior a 10 m²/vaca. Desta forma é primordial que o projeto seja planejado com base na projeção de crescimento do rebanho e produção de leite. Sendo que a lotação animal quando superior ao preconizado poderá dificultar o controle de umidade da cama (Fávero & Pantoja, 2014).

Ainda deve haver duas saídas para a pista de alimentação de aproximadamente 4,0 m de comprimento, e divisória de 1,2 m de altura entre a cama e a área do cocho. Bebedouros devem ficar contra a parede de concreto que separa a área do corredor de compostagem do corredor de alimentação, e serem acessadas pelo corredor de alimentação (JANNI et al., 2006). Sendo que os bebedouros nunca deverão ser instalados virados para a cama, evitando assim a possibilidade de molhar a cama. Ainda em relação aos bebedouros, os mesmos deverão ser facilmente limpos e rapidamente realizada a reposição do volume de água.

O telhado deve ser de material que não retenha muito calor. Sua inclinação não deve possuir menos do que 30%, para não dificultar a circulação de ar dentro do galpão e ajudar na dissipação do calor gerado pelas vacas e pela cama no processo de compostagem, e ainda deve conter lanternim coberto para que não chova dentro da instalação molhando a cama.

Segundo Shane et al. (2010) o sistema de ventilação deve ser instalado sobre a cama para mantê-la seca e evitando que o material possa aderir aos tetos e pernas das vacas. Além de melhorar a circulação de gases da compostagem, controlando a temperatura do galpão e proporcionando conforto térmico às vacas. Além disso, há melhorias na saúde geral das vacas, pois elimina poeira e pequenas partículas, que podem ocasionar futuros problemas respiratórios. A ventilação deve ser homogênea para evitar aglomeração de animais em algumas localidades do galpão, implicando em excesso de fezes e urina em locais específicos. Aspersores na pista de alimentação auxiliam e melhoram o conforto térmico das vacas, aumentando o consumo de matéria seca.

 

 

 

 

 

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