MANCHA AUREOLADA DO CAFEEIRO

Gabriella Lima Andrade de Sousa

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

A mancha aureolada é uma doença que tem se destacado na cafeicultura brasileira nos últimos anos. Ela é causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae e foi constatada pela primeira vez em 1955, na região de Garça, no Estado de São Paulo.

Tal enfermidade era mais comum nas regiões cafeeiras mais frias, como os estados do Paraná e São Paulo, porém, nos últimos anos tem-se constatado também nas zonas cafeeiras do Cerrado Mineiro (Triângulo e Alto Paranaíba), Sul de Minas e áreas de elevada altitude das Matas de Minas. Tem maior severidade, em sua maioria, em lavouras novas, com até 4 anos, mas lavouras velhas que foram podadas e viveiros de mudas podem ser altamente vulneráveis.

A bactéria penetra na planta de café por diversos mecanismos, sendo basicamente através de ferimentos, os quais podem ser causados por ataques de outras doenças/pragas, ventos, chuvas de granizo ou podas, e através de aberturas naturais, como estômatos, hidatódios, nectários e flores (figura1).

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Figura 1: Formas de penetração da bactéria

Os sintomas observados nas folhas são pequenas lesões irregulares, inicialmente com aparência de anasarcas, de coloração marrom-escura, que aumentam em tamanho e, posteriormente, desenvolvem halos amarelados ao redor das lesões, sintoma típico da doença, que deu origem à denominação (figura 2). A manifestação dos sintomas em forma de halo amarelo está relacionada às toxinas produzidas pelas bactérias durante o processo de infecção e colonização do tecido vegetal.

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Figura 2: Folha de café com lesão característica da Mancha Aureolada

As lesões podem coalescer, formando grandes áreas necrosadas e ocasionar deformação ou rompimento do limbo foliar. Com o desenvolvimento das lesões, a bactéria pode ser disseminada para própria planta e para plantas adjacentes, podendo colonizar, também, tecidos do caule e do ápice das mesmas, ocasionando necrose das folhas novas e morte do ponteiro. Em folhas novas, o halo amarelo nas lesões pode não ser notado, mas é possível perceber uma transparência desta região observando as folhas atacadas contra a luz.

A bactéria, também, pode infectar e colonizar tecidos do caule, provocando necrose das folhas novas, morte de ramos plagiotrópicos e/ou do terço superior da planta. Nos ramos plagiotrópicos, os sintomas se manifestam, geralmente, da ponta para a base. Ao colonizar as hastes do cafeeiro, a bactéria interfere no “pegamento” das flores, o que limita a produção das plantas no ano seguinte. Na tentativa de se recuperar, as plantas emitem novos ramos originando sintomas de superbrotamento.

Como mencionado, a bactéria causadora da Mancha Aureolada entra na planta por meio de aberturas causadas por ferimentos ou naturais. Como nas aberturas naturais o controle fica limitado, deve-se dar foco aos ferimentos, evitando-os. A mancha aureolada ocorre pela combinação de fatores que estão ligados ao ambiente, ao hospedeiro e ao patógeno, como: locais onde tem acúmulo de ar e ventos frios; problemas após podas no cafeeiro; lavouras atingidas por chuvas de pedra; altitudes elevadas; redução da temperatura e aumento da umidade relativa; excesso de nitrogênio na planta; mudas fracas que vão para o campo são mais suscetíveis a doença.

Primeiramente, é preciso entender que o manejo da Mancha Aureolada, como de qualquer outra bactéria, é complicado, pois o melhor controle é evitar sua entrada na planta, iniciando com plantio de mudas sadias e livres da bactéria. Visto que a única forma de tentar controlar a doença é por meio de aplicações de bactericidas, que são pouco eficientes e podem ocasionar facilmente resistência da bactéria ao produto, o controle é difícil e oneroso.

No campo, a principal tática a ser utilizada consiste basicamente em impedir ferimentos que possam servir de porta de entrada para a bactéria e o uso de produtos à base de cobre. Sendo assim, o recomendado é a utilização de quebra-ventos, como braquiária e crotalária nas entrelinhas, e árvores, como o eucalipto, fora da lavoura, principalmente em lavouras novas.

Por todo o exposto, nota-se a relevância de se conhecer a Mancha Aureolada, visto que sua importância econômica vem aumentando nos últimos anos em razão dos prejuízos que causa na produção. Por isso, é muito importante que o produtor se informe sobre o assunto e busque a ajuda de um profissional para adotar todas as medidas preventivas disponíveis para o controle.

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