IMPORTÂNCIA DAS BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF)

Giane Lima Nepomuceno – 3rlab

Universidade Federal de Lavras

Boas práticas de fabricação (figura 1) é o procedimento a ser praticado em empresas do segmento de alimentação para obter controle higiênico, sanitário e operacional aplicados à produção para a garantia da qualidade, conformidade e segurança de seus produtos junto com APPCC (Análise de Perigos de Pontos Críticos de Controle) atendendo ao cumprimento da Instrução Normativa nº 04/2007. De acordo com a definição do SINDIRAÇÕES (Sindicato Nacional dos Fabricantes de Rações), as “boas práticas de fabricação, são procedimentos necessários para garantir a conformidade e inocuidade dos produtos para o animal, o homem e o ambiente”. Os objetivos específicos preconizados dentro de um programa de BPF de modo geral incluem:

  • A garantia da qualidade nutricional dos alimentos (evitando a contaminação química, biológica ou física, prejudiciais à saúde animal, humana e do ambiente);
  • A garantia da rastreabilidade;
  • A garantia de controle dos processos, padronizando os procedimentos e reduzindo custos. Os requisitos de BPF aplicam-se quanto à qualidade das matérias-primas (procedência, registros de amostras e análises entre outros);
  • Quanto ao projeto/fluxograma de prédios e instalações;
  • Aos equipamentos e utensílios (projetados de modo a assegurar a higiene e limpeza evitando contaminações);
  • Procedimentos de limpeza e desinfecção de equipamentos e utensílios utilizados na fabricação das rações e manipulação de ingredientes;
  • Conscientização sobre higiene pessoal;
  • Programas de erradicação de pragas entre outros.

 giane_1

Figura 1- Fábrica de ração

Diante disso, diversas empresas foram interditadas até adequação de seus procedimentos e estruturas às normas higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação. Seguir essas ações resultam em melhoria no setor que tem como responsabilidade fornecer produtos de qualidade e seguros ao consumo animal, pelo controle de resíduos e contaminantes físico, químicos e biológicos. Alimentos seguros para animais também permitem aos produtores rurais redução dos custos de produção e a manutenção ou melhoria da saúde e do bem-estar animais.

QUANDO REALIZAR A DESSECAÇÃO NA CULTURA DA SOJA E SEUS BENEFÍCIOS

Gabriel Castillo

Universidade Federal de Lavras-3rlab

A produção de soja de cultivares com ciclo precoce, seguido pelo plantio de milho safrinha tem sido comum em vários estados do Brasil. Essa prática tem enorme contribuição para viabilidade econômica do agronegócio. Isso se deve basicamente pela maior exploração da propriedade durante o ano agrícola e ao fato de o agricultor não ficar dependente dos preços de mercado de apenas uma commodities.

Diante disso, fica evidente que a propriedade rural é uma empresa e sendo assim depende de lucro. A produção de duas safras dentro de uma mesma propriedade no mesmo ano agrícola contribui fortemente para o aumento desse lucro. Como foi citado acima, o plantio de soja seguido por milho safrinha tem sido muito utilizado para esse fim. Dessa maneira, é interessante a adoção de técnicas que permitem a antecipação da colheita da soja, para que se possa realizar o plantio do milho safrinha em seguida, visando o melhor aproveitamento da época de melhores chuvas e condição livre de plantas invasoras para melhor desenvolvimento da cultura.

Quando fazer ?

 É recomendado, para maior eficácia, que a dessecação seja feita no momento em que a soja completa a sua maturação fisiológica. Estudo realizado pela Fundação MT recomenda que o dessecante seja aplicado no estádio R7.3, momento em que 75% das folhas estão amarelas (figura 1). Caso a dessecação seja feita fora do período correto, poderão ocorrer perdas significativas na produtividade, podendo chegar a até 12 sacas por hectare.

ga_1

Figura 1- Planta da soja no estádio R7.3 (75% das folhas estão amarelas).

Existem diversos parâmetros para melhor identificação do momento certo de realizar a dessecação. A seguir alguns parâmetros mais utilizados:

  • O grão deve estar com no máximo 58% de umidade;
  • Os grãos devem estar separados (“desmamados”) um do outro dentro da vagem (figura 2);
  • Folhas e vagens devem estar mudando sua coloração verde para verde claro a amarelado;
  • Os grãos devem estar passando do aspecto esbranquiçado para brilhoso.

 ga_2

Figura 2- Grãos de soja “desmamados” (não estão presos por fibras).

 A dessecação tem como principais objetivos uniformizar as plantas com problemas de haste verde/retenção foliar (antecipando a colheita de três dias a até uma semana), bem como controlar as plantas daninhas para a próxima cultura. Sendo assim, para que ocorra melhor eficácia no controle de plantas daninhas após a dessecação, a escolha do herbicida deve ser embasada nas ervas indesejáveis predominantes na área. Sabe-se que para herbicidas como o Paraquat (recomendado para gramíneas) e Diquat (recomendado para plantas daninhas de folha larga) a absorção é completa em cerca de 30 minutos, dessa maneira chuvas após o período de aplicação não prejudicam o funcionamento do produto. Entretanto, se após a dessecação ocorrerem dias chuvosos, poderá não antecipar tanto assim a colheita, mas sabe-se que após cessar o período chuvoso, as perdas de umidade nas áreas dessecadas é mais rápida.

Benefícios

A utilização desta prática pode antecipar a colheita da soja em três dias a até uma semana após a dessecação. Podendo variar devido a: umidade do grão no momento da dessecação, produto utilizado e condições climáticas. Além disso traz inúmeros benefícios, sendo principalmente:

  • Antecipação da colheita, possibilitando a venda antecipada, caso o preço se encontre bom ocasionará maior lucro;
  • Menores problemas com plantas daninhas na cultura seguinte;
  • Maior umidade do solo para a safrinha;
  • Transporte de grãos de soja sem impurezas;
  • Melhor desenvolvimento da safrinha, possibilitando maiores produtividades.

A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DE SOLO PARA OS CAFEZAIS EM PRODUÇÃO

Gabriel Castillo

Universidade Federal de Lavras-3rlab

Para alcançar o sucesso produtivo de qualquer cultura, realizar a análise de solos é extremamente importante para que se possa fazer a recomendação de corretivos e fertilizantes. Para que tais recomendações sejam efetivas alcancem seus objetivos, ou seja, aumente a produtividade por meio do aproveitamento dos insumos, é necessário que se tome conhecimento da fertilidade daquele solo.

As recomendações visam, basicamente, suprir os nutrientes na quantidade adequada para cada fase de desenvolvimento da planta. Uma maneira simples e barata de realizar esse suprimento é por meio da análise química. A análise química determina os teores contidos na amostra de solo, portanto, realizar uma boa amostragem, confiável e representativa de um todo é importante.

Amostragem de solos

Na cafeicultura, a amostragem além de necessária deve se tornar uma prática rotineira. Entretanto, a amostragem para análise química exige determinados critérios para que represente melhor as características do solo a ser analisado.

Dessa maneira, uma amostragem mal feita poderá resultar em prejuízos econômicos e ambientais, uma vez que as recomendações de dosagem de corretivos e fertilizantes são calculadas diante dos resultados laboratoriais.

Época e frequência

A amostragem deve ser realizada anualmente, geralmente entre junho e agosto. Recomenda-se que a amostragem deve ser feita, antes da arruação e pelo menos 60 dias após a última adubação. Entretanto, pode ser realizada em outra época e mais de uma vez ao ano de acordo com o nível tecnológico e as particularidades da região.

Divisão da área

Como foi já foi dito acima: a amostra deve ser representativa e confiável de um todo. A uniformidade da área é de grande importância para a amostragem do solo. Portanto, a área cultivada deve ser subdividida em glebas, sendo estas homogêneas.

A gleba deve ser definida por características que a tornam homogêneas e não por tamanho. Recomenda-se que o tamanho não ultrapasse 10 ha, para ser representativa da área amostrada a amostra deve ser retirada levando-se em conta o histórico de uso e manejo (cultura anterior, tipo de vegetação, entre outros), exposição do terreno ao sol, localização e características visíveis do solo (cor, textura, estrutura e entre outros).

A seguir, na figura 1 é destacada a subdivisão da área cultivada em glebas. Sendo de um a quatro áreas produtivas e a quinta área não cultivada.

 gabriel_post_1

Figura 1- Subdivisão da propriedade em glebas para amostragem de solo.

Local da amostragem, número de subamostras ou amostras simples

 Recomenda-se que o local da amostragem seja o solo sob a copa, na “saia” do cafeeiro. Isso se deve, basicamente, a dois motivos. O primeiro motivo é que a as raízes do cafeeiro exploram, predominantemente esse local. Segundo motivo é que nesse local são feitas as adubações. Entretanto, quando se deseja conhecer a condição do solo nas entrelinhas, pode ser feita também a amostragem no meio da rua do cafezal, lembrando que são duas situações diferentes que necessitam de duas amostras a serem analisadas separadamente

Recomenda-se que a amostra completa (de cada gleba) deve ser constituída de no mínimo 20 amostras simples, em cada gleba separadamente, sendo retiradas na camada de 0 a 20 cm, percorrendo a área em ziguezague retirando amostras aleatoriamente, lembrando-se que deve prevalecer o bom senso.

Cuidados na coleta das amostras

  • Para o local da coleta da amostra o solo deve estar limpo. Deve-se retirar a cobertura vegetal, atentando-se para que a camada superficial do solo não seja removida;
  • Deve-se evitar locais próximos a formigueiros, cupinzeiros, árvores, caminhos, locais de descarga de fertilizantes e/ou corretivos, manchas no solo, ou seja, qualquer ponto diferente das características predominantes do terreno.
  • Para padronizar o volume de cada amostra simples, recomenda-se utilizar o mesmo equipamento de coleta. A profundidade da amostragem, geralmente 0 a 20 cm, deve ser sempre o mesmo para cada conjunto de amostras simples que irá formar uma amostra composta;
  • Caso o volume de cada amostra simples seja reduzido, devido ao tamanho e tipo de ferramenta usada, recomenda-se aumentar o número de amostras simples, para que se obtenha no mínimo 500g de terra, ou seja, quanto menor o volume das amostras simples, maior será o número de amostras a ser coletado;
  • Para que a amostra composta seja confiável e representativa de um todo, deve-se unir todas as amostras simples em um recipiente limpo, de preferência de material plástico. Após isso, em uma lona plástica, deve-se fazer uma boa mistura de todo o solo coletado, destorroando-o e deixando-o secar a sombra. Retira-se, aproximadamente 300g dessa mistura, coloca-se em um saco plástico limpo, fazer a identificação e enviar para o laboratório.

Identificação da amostra

Para enviar para o laboratório, a amostra deve ser identificada (figura 2). Basicamente, a identificação deve conter: nome do produtor, da propriedade, do talhão ou lavoura. Informações complementares de interesse do agrônomo poderão ser úteis, tais como: recomendações técnicas, espaçamento e produção esperada.

 gabriel_post_2

Figura 2- Identificação na amostra para envio ao laboratório.

Dessa forma, para que se alcance boas produtividades, economicamente viáveis em sua lavoura de café, fica evidente a importância de se realizar análise de solos. Sendo assim, deve-se realizar uma análise química completa de macro (N, P, K, Ca, MG, S) e micronutrientes (B, Zn, Cu, Fe, Mn, Cl, Mo), matéria orgânica, e também análise física para avaliar textura do solo. Estas contribuem para recomendações de um bom plano de calagem, gessassem e adubação do solo.