A importância da calagem para a agricultura – Lucas Machado – UFLA/3rlab

 

A grande maioria dos solos brasileiros, em especial os solos sob o cerrado, aqueles onde estão ocorrendo a expansão da fronteira agrícola, apresentam características de acidez, toxidez de Al e também baixos níveis de Ca e Mg.

Para tornar os solos do cerrado mais produtivos, é primordial a correção da acidez, toxidez de Al e aumento dos níveis de Ca e Mg. Essa correção se faz com a utilização de calcário agrícola, insumo relativamente barato, abundante no país e essencial para aumento da produtividade e da rentabilidade agropecuária, processo denominado calagem. Na tabela 1 podemos observar os incrementos de produtividade com a adoção da calagem.

grafico 1

Tabela 1 Aumento de produtividade com a utilização de calcário

Benefícios da calagem

 

  • eleva o pH;
  • fornece Ca e Mg como nutrientes;
  • diminui ou elimina os efeitos tóxicos do Al, Mn e Fe;
  • diminui a “fixação” de P;
  • aumenta a disponibilidade dos nutrientes no solo;
  • aumenta a eficiência dos fertilizantes;
  • aumenta a atividade microbiana e a liberação de nutrientes, tais como N, P, S e

B, pela decomposição da matéria orgânica.

O gráfico abaixo (figura 1) ilustra bem a relação entre o pH e a disponibilidade de nutrientes. Podemos observar que na faixa de pH entre 6 e 7 os nutrientes estão mais disponíveis para os vegetais.

grafico 2

Figura 1 Relação entre pH e disponibilidade de nutrientes

A calagem é recomendada com base nos resultados das análises de solo, efetuadas em amostras de solo coletadas, de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, como vimos no artigo sobre amostragem do solo. O calcário é classificado com relação à concentração de MgO. Calcário calcíticos (menos de 5% de MgO), magnesianos (5 a 12% de MgO) e dolomíticos (acima de 12% de MgO).

Quando e como distribuir o calcário?

A calagem pode ser feita em qualquer época do ano, porém é importante que a aplicação do calcário seja realizada com a maior antecedência possível ao plantio e/ou adubação. Geralmente o calcário leva três meses para reagir, então é preciso planejar para que ele reaja antes da época do plantio.

O calcário deve ser distribuído uniformemente, estando sempre atento a regulagem da distribuidora, para aplicação correta da dose necessária. Devido à baixa solubilidade, o calcário deve ser incorporado ao solo (com a utilização de arado e/ou grade), maximizando a eficiência da calagem.

A incorporação muito rasa pode ser um problema, ela provoca uma superdosagem nas camadas superficiais, que pode acarretar em deficiência de micronutrientes e limitar o desenvolvi- mento radicular do vegetal, reduzindo assim a produtividade.

Qual calcário utilizar?

Para a escolha da melhor fonte de calcário, deve-se observar qual é o Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT) do corretivo. O PRNT é um indicador que mostra a rapidez e a eficiência de reação do produto com o solo. Assim, quanto maior o seu valor, melhor ele será.

Devido aos custos do transporte, nem sempre é economicamente viável adquirir o produto com o maior PRNT. É recomendado que o agricultor faça o seguinte cálculo: divida o custo do calcário colocado na propriedade (incluindo o frete) pelo PRNT e multiplique o resultado por 100. Utilizando essa fórmula em três opções de calcário, por exemplo, aquele que tiver o menor valor é o que deve ser adquirido, independente de ser o calcário de origem calcítica, dolomítica ou magnesiana.

Qual a quantidade de calcário devo distribuir na área?

A determinação da quantidade de calcário a ser distribuído na área obedece o resultado da análise do solo e depende do comportamento da cultura com relação à acidez e de características como pH, teor de cálcio, magnésio e textura. A dose a ser aplicada deve ser suficiente para elevar a percentagem de saturação por bases para 60%, por exemplo.

Concluindo, nenhuma outra prática agrícola é mais econômica que a calagem, tendo em vista os benefícios ao solo e o aumento de produtividade que ela proporciona consequentemente.

 

 

 

 

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A nova fase dos cereais na região do sul de minas – Pedro Felipe Martins da Silva Universidade Federal de Lavras 3rlab

A região do sul de Minas Gerais sempre se caracterizou por ser grande produtora de café e leite, as condições climáticas do local e o relevo sempre favoreceram essas atividades. Porém as grandes variações do preço do café e do leite pago ao produtor nos últimos anos forçaram os mesmos a procurarem novas atividades que pudessem ser interessantes economicamente e que tivessem boa liquidez no mercado.

Nesse contexto foi que surgiram os primeiros plantios de soja no sul de minas (figura 1), porém os primeiros produtores dessa oleaginosa na região enfrentaram grandes problemas principalmente relacionados a não existência de materiais adaptados as condições da região, não existência de silos para o recebimento do grão e pouca disponibilidade de máquinas para serem utilizadas nas operações de plantio, pulverizações e colheita.

Segundo os últimos dados do Centro de Inteligência em Soja (CISOJA) as cidades no sul de minas que mais plantaram soja foram Três Corações com área plantada de 4000 ha, Bom Jesus da Penha com 4000 ha e Delfinópolis com 3800 ha. No entanto a cultura está presente em quase todos os munícipios da região e tende a ganhar importância ao decorrer dos anos, principalmente devido ao fato do grão estar com preços em alta (média de R$70,00 a saca de 60 Kg) impulsionado pela alta do dólar.

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Figura 1 – Plantio de verão de soja no sul de minas.

Devido a sensibilidade da soja as condições de fotoperíodo, foi necessário a condução de ensaios de competição na região a fim de verificar quais cultivares conseguiriam desempenhar boas características agronômicas a campo, foram avaliados atributos como: altura de planta e inserção do primeiro legume, resistência a doenças e pragas, índice de acamamento, rendimento de grão por área e qualidade das sementes.

As cultivares de soja que mais se destacaram quanto a produtividade na região em experimentos na Universidade Federal de Lavras em 2007 foram a Vencedora (4.395 Kg. ha), Paiaguás (3.897 Kg. ha), Aventis 2056-7 (3.780 Kg. ha), Monarca (3.646 Kg. ha) e FT2000 (3.498 Kg.ha). Essas cultivares podem ser recomendadas para o plantio na região, pois além de apresentarem boa produtividade, possuem bom tamanho de planta e resistência ao acamamento, boa altura de inserção do primeiro legume. Esses atributos são especialmente importantes em relação a colheita, tendo em vista que materiais que tem baixa inserção do primeiro legume e propensão ao acamamento tendem a ter altas perdas na colheita.

Junto com aumento da área plantada de soja no sul de minas cresce o número de produtores, interessados em também plantar o milho para safrinha. Na região a soja é plantada tradicionalmente até 15 de novembro a fim de aproveitar as chuvas incidentes nesse período e a colheita inicia-se em meados de março, junto com o plantio do milho safrinha. Para o bom funcionamento do sistema é necessário que a soja a ser plantada em novembro tenha ciclo precoce ou semi-precoce (ciclo aproximadamente entre 100 e 110 dias), a fim de estar em ponto de colheita em março para tornar possível o plantio do milho (figura 2) em forma de sucessão.

Ainda não se tem números oficiais que informam o quanto cresceu a área de safrinha na região comparado à últimas safras, porém sabe-se que Minas Gerais em 2013 colheu a maior safrinha de sua história com produção total de 560,7 mil toneladas. Segundo dados do IBGE em 2013 o sul de minas foi responsável por 9,8% do total da produção do milho safrinha no estado, o Noroeste se consolida como maior produtor com participação de 43,9% da safra estadual.

Em virtude do aumento da área plantada de grãos na região muitas cooperativas e revendas estão mudando o seu foco de trabalho, a fim de atender a nova demanda por serviços e produtos. Para ilustrar essa realidade temos a Cooperativa Agrária de Machado (COOPAMA) que em 2014 criou o departamento de cereais a fim de atender os novos produtores de cereais, que armazenam suas produções nos silos das cooperativas.

plantação milho

Figura 2 – Plantio de milho no sul de minas em Três Corações.

Fica claro que a produção de grãos é uma nova realidade para a região do sul de minas, nesse contexto é necessário que empresas, técnicos, universidades e outros agentes invistam em pesquisas e prestações de serviços a fim de garantir o crescimento da atividade de produção de grãos.

Desafios e soluções para a suinocultura catarinense – Pedro Felipe Martins da Silva Universidade Federal de Lavras 3rlab

A região sul do Brasil se consolida como maior produtor de suínos (figura 1) no Brasil, segundo dados do IBGE em 2013 a região tinha aproximadamente 17,9 milhões de cabeças o que corresponde a 49% do rebanho nacional. O estado de Santa Catarina é o maior estado produtor de carne suína do Brasil, como consequência há nesse estado grandes indústrias que se utilizam de alta tecnologia para aprimoramento do sistema produtivo, tornando a suinocultura nessa região referência para todo o Brasil.

Apesar dos bons números da atividade, o ano de 2016 não começou tão favorável para os produtores, pois o custo de produção aumentou muito nas regiões produtoras do estado devido as altas dos grãos impulsionados principalmente pela alta histórica do dólar. A alta cotação da moeda americana no Brasil, têm estimulado produtores a exportar devido a maior remuneração em relação ao mercado interno.

Dentre os grãos utilizados na dieta dos suínos o milho (figura 2) é o que está mais impactando nos custos com a alimentação, o grão que tinha sua cotação por volta de R$ 27,00 reais em outubro de 2015, teve grande valorização em janeiro a saca de milho em Santa Catarina já era cotada entre R$43 e R$ 47.

Santa Catarina é atualmente o maior comprador de milho dentre todos os estados do Brasil, a demanda pelo grão é impulsionada principalmente pelo grande complexo agroindustrial responsável pela produção de mais de 1 bilhão de aves e 12 milhões de suínos anualmente. Em 2005 o estado contava com uma área cultivada de milho de aproximadamente 800 mil hectares com produção totalizada entre 3,8 e 4 milhões de toneladas. Em 2015 a área cultivada do grão no estado caiu para 340 mil hectares, com produção estimada entre 2,5 e 3,5 milhões de toneladas para tentar atender uma demanda de 6 milhões de toneladas.

Diante dos dados apresentados acima fica evidente que o estado ano após ano fica à mercê das incertezas do mercado, como consequência dessa realidade os produtores e empresas não conseguem adotar um longo planejamento estratégico e perdem competitividade em relação as empresas de grande porte. Para tentar amenizar os efeitos da alta dos grãos no mercado o estado tenta junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) realizar leilões com estoques de milho armazenados em outros estados. Outra medida que está sendo adotada, a fim de tentar sanar a crise dos altos preços do milho é a utilização da ferrovia Ferrooeste e América Latina Logística para trazer milho dos estados do centro-oeste a fim de trazer mais segurança e competitividade para produtores e empresas do setor.

Em razão do atual momento da suinicultura catarinense, fica claro que o setor necessita de políticas que visam a proteção dos agentes da cadeia produtiva em relação ao mercado. No ano passado as atividades de avicultura e suinocultura no estado foi responsável por sustentar aproximadamente 150 mil empregos diretos e indiretos e por trazer as regiões produtoras desenvolvimento econômico e social.

criação de suinos

Foto 1- Criação de suínos em fase de terminação.

colheita de milho

2- Colheita de milho na região sul do Brasil.