Impacto da não manutenção do vagão misturador Marcelo Hentz Ramos – PhD / Diretor 3rlab

Impacto da não manutenção do vagão misturador

Marcelo Hentz Ramos – PhD / Diretor 3rlab

O vagão de mistura completa é um método eficiente e efetivo para alimentar vacas e tem sido adotado em todo o mundo. Porém, muitos fatores podem levar a inconsistência na composição da dieta completa entregue no cocho (TMR), o que resulta em produção de leite e sólidos abaixo do esperado como também problemas de saúde no rebanho. Importante entender que variações em cada etapa de mistura no vagão podem ser cumulativas e resultar em um TMR no cocho muito diferente do formulado.

Erros custam caro

Levando em consideração que os custos de alimentação são responsáveis pela maior fatia do custo de produção, certamente o ajuste do vagão misturar é um fator que merece atenção. Vamos colocar um exemplo de uma fazenda com 500 vacas em lactação onde poderíamos economizar 10 centavos por vaca ajustando a dieta e manter a produção de leite, componentes e saúde do rebanho. Esta economia equivaleria a $18.250 por ano. E qual o efeito teria um ajuste no vagão misturador? Uma dieta pode sim parecer mais barata no papel, mas se o vagão não estiver ajustado para entregar esta dieta no cocho e houver uma queda de 1 kg de leite nas vacas? Este valor equivaleria a $65.700 por ano (independente da moeda o impacto é o mesmo). Ficou claro o impacto do ajuste do vagão na fazenda leiteira?

Cochos muito raramente representam a dieta no computador

Como nutricionista, nossa meta é providenciar uma dieta bem formulada que irá maximizar produção, componentes e saúde ao menor custo possível. Nutricionistas investem uma quantidade enorme de tempo avaliando combinações de ingredientes, subprodutos, proteínas, minerais, vitaminas e vários aditivos. Utilizamos softwares sofisticados de balanceamento de dietas e modelos que predizem o consumo de matéria seca. Isto é ótimo, mas o resultado precisa ter consistência na frente da vaca! Portanto, como sabemos se estamos alcançando consistência na dieta na frente do animal? Temos que focar também na manutenção do vagão misturador, é ele quem “entrega” a comida formulada para os animais.

Assim como uma sala de ordenha, o vagão misturador funciona 365 dias no ano e precisa de manutenção. A maioria das fazendas leiteira realiza manutenção da ordenha com certa periodicidade. Quando algo esta errado na ordenha certamente um maior índice de mastite será notado. O mesmo princípio deve ser levado em consideração para o vagão misturador. Mesmo com uma excelente dieta formulada no mais avançado software sua meta não será alcançada sem uma checagem e manutenção do vagão misturador.

Grande parte dos problemas encontrados em vagões em fazendas leiteiras é devido à falta de manutenção do mesmo. Tenha certeza de colocar um plano de ação para checagem periódica do vagão e assim assegurar que a dieta formulada no computador estará muito próxima da dieta no cocho.

 

Adaptado de: TMR mixer checkups do matter. Hoards Dairyman, Setembro 2015.

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Aditivos podem modificar o comportamento alimentar de vacas leiteiras. Marcelo Hentz Ramos – PhD – Diretor 3rlab

Aditivos podem modificar o comportamento alimentar de vacas leiteiras

Marcelo Hentz Ramos – PhD – Diretor 3rlab

Pesquisas têm estudo fatores físicos, digestivos e metabólicos que contribuem para a regulação voluntária do consumo de alimentos em vacas leiteiras. A identificação destes fatores é necessária para formulação de dietas que podem ajudar a aperfeiçoar o consumo de alimentos. Isto é importante não somente para aumentar a produção de leite como também para ajudar vacas no início da lactação que geralmente estão em balanço energético negativo.

Mudanças no consumo de alimentos pode ultimamente ser mediadas por mudanças no comportamento da alimentação. Por exemplo, para uma vaca comer mais, ela precisa modificar o tamanho ou a frequência das suas refeições, ou uma combinação das duas. Em adição, ele precisaria aumentar o tempo e ou a taxa de consumo.

O comportamento alimentar não é somente importante para o consumo total de matéria seca, mas também para manter o rúmen saudável e funcionando eficientemente. Refeições longas e de grande quantidade em uma velocidade rápida têm sido associado com uma incidência elevada de acidose subclínica em vacas leiteiras. A razão para este risco é que o pH do rúmen cai após a refeição devido a produção de ácidos graxos. Em adição a taxa de caída do pH aumenta com o tamanho da refeição. Como também precisamos entender que um animal gastando menos tempo para alimentação e como consequência um aumento na taxa de consumo de alimento, a produção diária de saliva é reduzida, diminuindo a capacidade tamponante do rúmen e reduzindo ainda mais o pH.

Maior frequência com refeições pequenas.

Alternativamente, quando vacas diminuem a taxa de consumo de matéria seca e consomem o alimento com maior frequência, com refeições menores durante o dia, o tamponamento do rúmen é maximizado, a variação de pH durante o dia diminui e o risco de acidose subclínica cai. Para suportar este teoria, pesquisadores da Universidade de Guelph demonstraram a associação entre frequência de alimentação e produção de gordura no leite. Portanto, para maximizar a saúde, eficiência e produtividade é importante utilizar estratégias que promovam a consumo frequente de alimento em refeições pequenas durante o dia. Portanto, é de extrema importância para o gestor da fazenda entender os fatores que influenciam o comportamento alimentar de vacas leiteiras.

Em condições naturais de pastejo, vacas iram consumir alimentos até 9 horas por dia. O momento da alimentação é dividido em várias refeições durante o dia, com grande parte do alimento sendo consumido no início da manhã e final da tarde. Em situações onde as vacas recebem dieta completa (TMR) no cocho, os animais tipicamente consomem o alimento em três a cinco horas por dia, divididos entre 10 ou mais refeições por dia. Este comportamento de alimentação com dieta completa esta influenciado por ambos os tipos de alimentos fornecidos como também o manejo e ambiente.

Aditivos podem modificar consumo

Do ponto de vista do alimento, fornecer TMR´s com alta concentração de forragem irá promover um consumo de alimentos mais lento com mais refeições por dia. Infelizmente, do ponto de vista da vaca, isto não é comum, pois temos a tendência de fornecer dietas com baixa concentração de forragem e ainda em muitas situações com esta sendo picada fina. Isto é feito com o objetivo de maximizar consumo e digestibilidade para atingir os requerimentos do animal. Portanto, levando em consideração que precisamos explorar oportunidades de modificar o comportamento alimentar das vacas com as dietas que fornecemos, existem inúmeras evidências que a utilização de aditivos pode impactar o comportamento alimentar.

Em trabalhos recentes na Universidade de Guelph, pesquisadores demonstraram que a suplementação de vacas leiteiras com cepas vivas de Saccharomyces cerevisiae causou um impacto positivo no comportamento alimentar. A suplementação com esta levedura levou a animais consumirem a dieta com mais frequência. Pesquisadores espanhóis obtiveram a mesma resposta com a suplementação desta levedura, em adição, o aditivo aumentou o pH do rúmen. Devemos notar que este benefício de aumento de frequência de alimentação não é único desta levedura. A adição de monensina também levou ao aumento da frequência e alimentação de acordo com trabalhos na Universidade de Kansas.

Estabilização do pH é chave

O ponto comum entre este estudos é a associação entre um melhor comportamento alimentar e a redução de variação no pH. Se o comportamento alimentar afeta o pH, é muito provável que levedura viva e monensina possuem o potencial para estabilizar o pH a fermentação e afetar o comportamento alimentar secundariamente. Especialmente, uma fermentação mais consistente deve resultar em menor variação na produção de ácidos graxos voláteis, melhorar a digestão de fibras e um retorno mais rápido ao consumo. Neste ponto, não podemos concluir o que é causa e consequência, se a melhora no ambiente rumenal é devido ao comportamento alimentar ou vice-versa. Do ponto de vista da vaca não importa!

Aditivos alimentares que promovam comportamento alimentar saudável e possuem um impacto positivo no ambiente rumenal pode ser útil, particularmente em situações onde existe chance de depressão de gordura do leite: dietas com alta inclusão de amido, pós-parto e vacas com maior chance de desenvolver acidose sub-clínica. Nestas situações, a utilização de aditivos, em adição às questões de manejo de cocho, pode permitir que as vacas utilizem os alimentos no seu máximo potencial e continuem saudáveis e produtivas.

Adaptado de: Feed additives can change the way cows eat. Hoards Dairyman, Outubro 2015.