Suplementação de Vacas de corte no pré-parto imediato com subprodutos.

Suplementação de Vacas de corte no pré-parto imediato com subprodutos.

Marcelo Hentz Ramos – PhD / Diretor 3rlab

Um experimento foi realizado durante dois anos (ano 1 = 326 vacas, ano 2 = 383 vacas) com o objetivo de entender o impacto da suplementação com subprodutos (70% DDG + 30% casca de soja) durante o último terço da gestação (103 dias antes do parto) sobre algumas variáveis de importância econômica no sistema de produção de carne.

Os tratamentos utilizados foram: sem suplemento (C), 2.16 kg por vaca/dia (PS) ou 8.61 kg por vaca/dia (AS). Após a suplementação, bezerros foram desmamados aos 80 dias após o nascimento (EW) ou aos 188 dias após o nascimento (NW).

O peso e escore corporal das vacas no tratamento AS foram maiores durante o pré-parto, pós-parto e após a inseminação quando comparado aos outros tratamentos. O desmame precoce (EW) resultou em melhora na taxa de concepção quando comparado ao desmame tradicional (NW). Os autores concluíram que a suplementação no pré-parto com adição da desmame precoce resultou em aumento do escore e peso corporal das vacas como também melhora nas taxas de reprodução.

O que podemos aprender sobre este experimento? Sabemos que as vacas precisam de ajuda no terço final da gestação, pois é nesta fase que acontece a maior parte do crescimento fetal. Também entendemos que vacas que parem em uma condição corporal melhor tem uma chance mais alta de emprenhar e continuar no rebanho. Em adição, a prática do desmamem precoce têm se tornado mais e mais comum em nossas fazendas. Adicione a este cenário o fato de termos uma grande disponibilidade de subprodutos no nosso país. Pergunta: com todas estas informações e a indústria de pecuária de corte empurrando cada vez mais produtores para fora da atividade, por que não utilizamos estas tecnologias?

O trabalho em conjunto com seu técnico irá determinar o ponto ótimo da suplementação para o maior retorno na atividade. Ferramentas estão disponíveis, precisamos entender quando utilizá-las para buscarmos cada centavo a mais por animal na fazenda.

Adaptado de:

Prepartum supplement level and age of weaning: I. Effects on prepartum and postpartum beef cow performance and calf performance through weaning. L. M. Shoup, A. C. Kloth, D. Gonzalez-Peña Fundora, F. A. Ireland, S. L. Rodriguez Zas, T. L. Felix, and D. W. Shike, 1University of Illinois, Urbana, University of Illinois at Urbana-Champaign, Urbana. ADSA 2014.

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Minha dieta esta balanceada para 25 kg de leite/dia, mas o gado esta produzindo 17 kg/dia, qual o problema?

Minha dieta esta balanceada para 25 kg de leite/dia, mas o gado esta produzindo 17 kg/dia, qual o problema?

Marcelo Hentz Ramos, PhD-Diretor 3rlab

Pesquisadores americanos forneceram exatamente a mesma dieta para 47 rebanhos leiteiros diferentes. Observaram que existiam vacas que produziram 35 kg/leite/dia em uma fazenda e 25 kg/leite/dia em outra fazenda. Esta diferença intrigou os pesquisadores e levantou a pergunta: como existe uma diferença de 10 kg de leite/dia entre dois animais recebendo exatamente a mesma dieta e com perfil genético muito próximo? A resposta ficou clara, fatores como frequência de alimentação, espaço de cocho, número de animais por cama, entre outros foram responsáveis pela diferença e não a dieta!

Quantos metros de espaço de cocho você proporciona para o seus animais? Cinquenta, sessenta, setenta centímetros? A melhor maneira de medir é fornecer alimento para o lote e verificar se todos os animais conseguem alcançar a comida ao mesmo tempo. Ok, agora retorne após uma hora e verifique se ainda existe comida disponível para todos os animais ao longo da linha do cocho. Vacas são animais de hábito, em cada lactação ela irá encontrar um local no cocho onde gosta de se alimentar e utilizará este espaço somente. Se não houver comida naquele espaço ela mudará para outro, mas o consumo será menor. Portanto, comida disponível no começo, meio e final do cocho é importante. Uma local no cocho onde normalmente o consumo é maior é no terço inicial mais próximo da ordenha. Portanto uma dica é colocar 40% da dieta no terço inicial, 30% no meio e 30% no final. Estes valores podem ser ajustados de acordo com as necessidades de cada rebanho.

Para exemplificar ainda mais a importância de espaço de cocho na produção de leite, alguns anos atrás uma associação de produtores americanos decidiu aposentar (pagar o preço de uma vaca de leite para que o produtor enviasse este animal ao frigorífico) uma grande quantidade de vacas com o objetivo de diminuir a produção e como consequência aumentar o preço do leite. O resultado foi surpreendente, a produção de leite aumentou ao invés de diminuir como era esperado. A explicação foi que as vacas não tinham espaço para consumir alimentos, pois os confinamentos estavam superlotados, colocando mais animais do que deveriam, quando foram retirados alguns animais, as vacas conseguiram chegar ao cocho e consumir alimento, assim o leite subiu!

Já a frequência de alimentação é uma ferramenta disponível para o produtor que pode aumentar significativamente o consumo dos animais. As fazendas onde os animais produziam mais leites possuíam uma frequência de alimentação maior do que as fazendas onde os animais produziam menos leite. Se a fazenda fornece dieta duas vezes ao dia, três vezes ao dia com alimento fresco irá proporcionar um aumento de consumo e consequentemente um aumento na produção de leite. A explicação para um aumento de consumo reside no fato de que uma menor frequência de alimentação resulta em menor pH no rúmen, as vacas ficam com azia e consomem menos. Quando distribuímos a alimentação ao longo do dia, a chance de pH menor também é menor e o consumo aumenta. O impacto da frequência de alimentação é tão grande que existem fazendas que fornecem 12 alimentações durante o dia!

Portanto, a capacidade da fazenda de proporcionar um ambiente onde o animal possa consumir a quantidade desejada é um grande diferencial a ser explorado.

Produção de leite cai mesmo com contagem de células somáticas abaixo de 200.000.

Produção de leite cai mesmo com contagem de células somáticas abaixo de 200.000.

Marcelo Hentz Ramos – PhD / Diretor 3rlab

Um dos pontos mais importantes para atingir altos picos de produção de leite é obter vacas no pós-parto sem mastite (clínica e ou subclínica). Neste artigo iremos discutir quantos litros de leite uma vaca perde devido à infecção subclínica (não podemos ver, precisamos enviar ao laboratório para análise de células somáticas) durante a lactação.

Para discutir este assunto foram sumarizados dados de 10 fazendas do estado de Wisconsin, totalizando 6.000 vacas em lactação. A contagem de célula somáticas no primeiro teste (após o parto e antes dos 30 dias de lactação) foi avaliada para entender o seu impacto sobre a produção de leite no mesmo dia e durante a lactação.

A produção de leite por dia foi reduzida em 7 kg no dia do exame, quando o animal estava com contagem de células somáticas acima de 200.000. Outra conclusão foi que durante a lactação o nível de contaminação do rebanho não importou: acima de 200.000 ou abaixo de 200.000. Quando uma vaca atinge 200.000 elas perdem uma grande quantidade de leite.

Em rebanhos com contagem de células somáticas baixa, 15% dos animais apresentavam contagem acima de 200.000 no primeiro teste. Em contraste, rebanhos com contagens altas apresentaram 40% dos animais acima de 200.000 células somáticas.

Gerentes de fazendas leiteiras geralmente não acreditam que vacas perdem muito leite mesmo com CCS abaixo de 200.000. Precisamos entender que vacas com CCS e vacas com mastite clínica perdem muito leite (deixam de produzir), mas vacas com CCS abaixo de 200.000 também estão deixando de colocar leite no tanque da fazenda.

Ficou claro a relação entre animal com mastite subclínica no pós-parto com menor produção de leite durante a lactação (figura 1). Entretanto, o mecanismo para explicar o impacto na lactação inteira do animal ainda é desconhecido. Pesquisadores sabem que quando uma infecção acontece na glândula mamária, existe uma infiltração de células brancas que excretam substâncias para “matar” os microrganismos invasores. Entre estas substâncias encontram-se inúmeras toxinas que destroem o tecido mamário. Este tecido que foi destruído é substituído por tecido fibroso (não produz leite).

Muitas vezes estamos na fazenda analisando inúmeros dados de produção, reprodução e sanidade tentando entender porque alguns animais conseguem realizar uma lactação com lucro e outros não. Uma porção destes animais que não foram bem sucedidos na lactação podem ser animais que tiveram CCS abaixo de 200.000 no início da lactação. São animais perfeitamente saudáveis aos olhos nus e mesmo com uma análise subclínica. Entretanto, quando observamos o que aconteceu no início da lactação conseguimos finalmente encontrar o problema.

 

 

 Slide1

Figura 1 – Produção de leite (milk production, em libras) e contagem de células somáticas. Linha verde – vacas com contagem abaixo de 200.000 e linha azul – vacas com contagem acima de 200.000. Eixo x – meses em lactação.

 

 

 

 

 

 

Adaptado de: Yields drop even at 200.000 CSS. Hoards Dairyman 10 de fevereiro de 2015.