Como aumentar 400 kg de leite na lactação das minhas vacas cuidando melhor das minhas bezerras?

O primeiro dia de lactação de uma primípara esta sendo preparado desde o nascimento desta. Pesquisadores têm demonstrado que o desempenho das bezerras na fase de aleitamento reflete diretamente na produção deste animal durante toda a vida produtiva. A pergunta que devemos fazer é: quais os  fatores que devo focar na minha atividade para aumentar em 400 kg de leite a lactação da minha primípara ?

Utilizando dados de 1,244 animais da Universidade de Cornell e 624 animais de rebanhos comerciais, pesquisadores americanos concluíram que:

– o ganho de peso durante o aleitamento é responsável por 22% da variação da produção na primeira lactação.

– para cada aumento de 0,5 kg no ganho de peso durante o aleitamento a primeira lactação aumentou 425 kg (utilizando bezerras da Universidade de Cornell) e 556 kg (utilizando bezerras de rebanhos comerciais).

– com a soma das três primeiras lactações esta diferença chega a 1,140 kg de leite para cada 0,5 kg de ganho adicional.

Como podemos observar nas conclusões dos pesquisadores, o tratamento que oferecemos para as bezerras durante a fase de aleitamento reflete claramente durante o momento de produção deste animal. Na tabela 1, podemos observar um experimento adicional onde as bezerras obtiveram o mesmo peso aos 12 meses apesar de um tratamento receber a quantidade normal de leite e o outro (intensivo) uma quantidade maior. As bezerras deste experimento podem ser observadas na foto 1. Pode-se notar que apesar de as bezerras possuírem o mesmo peso, a produção de leite na primeira lactação foi aproximadamente 1,000 kg de leite superior para as bezerras que receberam tratamento intensivo durante a fase de aleitamento. A média (metaanálise) de 11 experimentos revelou ganhos de 435 kg de leite na primeira lactação quando o ganho de peso durante o aleitamento aumenta.

Como podemos então aumentar em 400 kg o leite produzido pelas primíparas em meu rebanho?

Algumas recomendações podem ser utilizadas durante o aleitamento:

         – Dobrar o peso da bezerra aos 60 dias. Exemplo: peso ao nascimento de 40 kg, peso a desmama de 80 kg. Isto equivale a um ganho de peso de 666 g/dia.

         – Mortalidade menor que 5%

         – Bezerras doentes (morbidade) menores que 10%

Se isto conseguir ser implantando na fazenda, teremos a idade ao primeiro parto menor, o leite irá aumentar e os animais serão mais saudáveis.

         Portanto, o aleitamento intensivo é uma ferramenta disponível para o produtor que deseja aumentar em 400 kg ou mais a produção de leite das primíparas.

Tabela 1 – Efeito do protocolo de aleitamento no desempenho de bezerras aos 12 meses e na primeira lactação

Controle Intensivo
Peso das bezerras aos 12 meses, kg 103,7 104,2
Leite na primeira lactação das mesmas bezerras, kg 9,245 10,577

Foto 1 – Bezerra da esquerda foi criada em aleitamento intensivo enquanto bezerra da direita foi criada em aleitamento convencional.

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Cinco kilos a mais de forragem na minha dieta são possíveis? Qual a maneira profissional para tomar esta decisão?

 

Um lote de vacas produzindo 30 kg de leite/dia com uma dieta contendo 30 kg de silagem de milho esta sendo “desafiado”? Será que eu posso colocar mais 5 kilos de silagem de milho nesta dieta e como consequência diminuir a quantidade de ração e manter o leite? Com certeza você já fez esta pergunta em algum momento na sua fazenda. O desafio é saber como medir a resposta para entender se a decisão tomada foi correta.

         Uma excelente ferramenta que deve ser utilizada por nutricionistas em fazendas é a observação do Escore de Condição Corporal dos animais ao parto e ao pico de lactação. Se a fazenda adota como meta o escore de 3,25 ao parto isto significa que 75% dos animais devem estar nesta condição ao parto e 75% dos animais devem estar no mínimo em 2,5 ao pico. Por que 75? Porque nós trabalhamos com biologia e raramente podemos utilizar 100%. Em adição, manejamos animais em grupos que são extremamente diferentes, portanto sempre existirá diferença no mesmo grupo. Apesar de ser uma ferramenta excelente a utilização de escore de condição corporal ao parto e ao pico é pouco utilizada por questões de tempo disponível dos funcionários na fazenda.

Entretanto, outra ferramenta muito interessante é a utilização de digestibilidade in vivo da dieta dos animais na fazenda. Mais claramente, o técnico coleta amostras da dieta que os animais estão consumindo no lote e também coleta fezes dos animais no mesmo lote. Este material é colocado no rúmen de vacas em laboratório. Como resultado o técnico consegue detectar qual a digestibilidade da dieta, da fibra e do amido por exemplo. Como exemplo, na tabela 1 podemos observar que os valores de digestibilidade da matéria orgânica, da FDN e do amido do lote da fazenda estão acima da média brasileira. Estes valores demonstram que os animais não estão sendo limitados por fibra. Como sabemos que quanto mais forragem adicionamos na dieta sem baixar a produção de leite, maior o retorno sobre custo alimentar (mais dinheiro fica na fazenda), a recomendação certamente é adicionar forragem nesta dieta. Portanto esta ferramenta é uma maneira profissional para decidir se podemos ou não adicionar mais forragem em uma dieta. Mas será que esta ferramenta funciona?

Esta mesma ferramenta (análise de digestibilidade in vivo) foi utilizada em uma fazenda comercial nos EUA. O rebanho em análise produzia 42 kg de leite/dia com 3.6% de gordura e 3.1% de proteína. A dieta continha 50% de forragem. Na tabela 2 podemos visualizar a composição da dieta. Podemos observar que quando a fazenda utilizava 50% de forragem na dieta (dieta A), as digestibilidade de MO, FDN, Amido, PB e EE estavam acima da média americana. Desta maneira o nutricionista tomou a decisão de adicionar mais forragem na dieta (dieta B, 55% de forragem). Com a adição de forragem na dieta podemos visualizar que houve uma diminuição na digestibilidade dos nutrientes. Entretanto, as digestibilidade da dieta ainda estavam superiores a média americana. Importante notar que não houve modificação na produção de leite ou sólidos na fazenda. Certamente nesta situação o retorno sobre custo alimentar foi maior após a adição de forragem. Portanto a utilização desta ferramenta permite detectar diferenças na digestibilidade dos nutrientes e auxiliar o nutricionista a tomar uma decisão profissional.

Em uma outra fazenda comercial americana a digestibilidade in vivo também foi utilizada. O rebanho produzia 38 kg/leite/dia com 3.65% de gordura e 3.1% de proteína. A dieta C (antes da utilização de digestibilidade in vivo) e a dieta D (após a utilização de digestibilidade in vivo) podem ser observadas na tabela 3. Podemos notar que a digestibilidade do amido estava abaixo da média enquanto a digestibilidade da FDN estava acima da média. Desta maneira notamos que a digestibilidade do amido era o grande problema da fazenda. Mas como o grão já estava processado não havia nada que podíamos fazer. Entretanto devido à boa digestibilidade da FDN o nutricionista ainda resolveu adicionar forragem. Na coluna D podemos notar que a apesar de a digestibilidade da FDN diminuir devido a adição de forragem a digestibilidade do amido foi mantida. Nesta fazenda a adição de forragem resultou em queda na produção de leite devido a grande queda na digestibilidade da forragem e como consequência uma queda na digestibilidade da matéria orgânica. Este segundo exemplo mostrou que a fazenda em questão precisa melhorar o processamento de milho para poder adicionar mais forragem. Certamente o grão da silagem não deveria estar processado corretamente. Ainda poderíamos sugerir para que a fazenda em questão fizesse a avalição do tamanho dos grãos de milho moído. Assim saberia com exatidão qual a peneira que deveria ter utilizado para moagem.

Mas porque no meu vizinho que possui um sistema idêntico ao meu (rebanho, alimentos, frequência de alimentação, etc…) ele consegue fornecer uma dieta com 50% de forragem e eu só consigo adicionar 40% de forragem? Esta pergunta certamente é responsável pela grande diferença entre margens financeiras entre produtores de leite. Simples, a forragem do seu vizinho é melhor do que a sua. Por quê? Porque ele cortou a silagem no tamanho de partícula recomendado, utilizou um esmagador de grãos, ensilou rapidamente e maneja a face do silo muito bem. Mas como saber se os grãos da minha silagem estão sendo danificado o suficiente? Para responder exatamente esta pergunta existe uma técnica chamada KPS (Kernel processing score, análise de processamento de grãos). Esta técnica permite ao técnico identificar se os grãos da silagem de milho estão danificados ou não.

Portanto com uma ferramenta como digestibilidade podemos comparar os custos de aluguel de uma máquina automotriz para gerar uma silagem melhor versus a tradicional sem processamento de grãos e com um tempo maior de enchimento de silo. Em muitas situações, a utilização de automotriz é muito mais vantajosa, pois esta permite que a digestibilidade da MO, FDN e amido nas vacas da fazenda em questão seja alta. Como no exemplo da tabela 2, quanto maior a digestibilidade maior a quantidade de forragem que eu posso utilizar e consequentemente mais dinheiro eu deixo na fazenda. Uma análise mais detalhada certamente pode ajudar o produtor a melhorar a qualidade da silagem pensando em leite com mais forragem através da utilização de máquinas melhores na colheita da silagem.

Mas eu ainda tenho dificuldades em utilizar esta ferramenta, existe alguma outra maneira que pode me ajudar a tomar esta decisão? Certamente a análise de amido nas fezes pode ser um caminho alternativo para responder esta questão. Esta técnica permite que o nutricionista saiba a porcentagem de amido nas fezes dos animais por lote. Como exemplo temos uma fazenda no qual o técnico enviou amostras de fezes para o laboratório e pediu para fazer análise de amido. Como resultado a porcentagem de amido nas fezes estava em 7%. Sabemos que devemos trabalhar com números menores do que 5%. Portanto, neste rebanho o amido não esta sendo digerido corretamente. Em muitas situações a digestibilidade do amido acompanha a digestibilidade da matéria orgânica. Portanto, neste mesmo rebanho podemos assumir que a digestibilidade da matéria orgânica desta fazenda esteja baixa e uma das causas da baixa digestibilidade da matéria orgânica pode ser a fibra.

Tabela 1 – Exemplo de digestibilidade da matéria orgânica (MO), da fibra (FDN) e do amido na fazenda em exemplo e média em fazendas brasileiras.

 

Sua fazenda

Média Brasil

Digestibilidade, %

 

 

   MO

65

60

   FDN

45

40

   Amido

95

90

Tabela 2 – Composição nutricional de dietas antes (C, antes da adição de forragem) e depois (D, depois da adição de forragem) da utilização da digestibilidade na fazenda.

  Dieta C Dieta D      
%MS          
  MO

91

92

  FDN

33,5

36,4

  Amido

27

24

  PB

17

17,5

  EE

5

4

  CNF

37,2

35,7

Digestibilidades, %

Média

MIN

MAX

  MO

78,4

75,8

66,1

44,4

80,8

  FDN

58,8

56,9

42,0

13,7

63,4

  Amido

98,1

97,9

97,1

93,1

98,6

  PB

79,4

79,0

63,7

32,7

82,2

  EE

81,4

75,8

74,3

53,8

95,9

Dieta A = 50% de forragem

Dieta B = 55% de forragem

MO = Matéria Orgânica, FDN = Fibra em detergente neutro, PB = Proteína bruta, EE = Extrato Etéreo, CNF = Carboidratos não fibrosos, MIN = Mínimo e Max = Máximo

Tabela 3 – Composição nutricional de dietas antes (C, antes da adição de forragem) e depois (D, depois da adição de forragem) da utilização da digestibilidade na fazenda.

  Dieta C Dieta D
%MS    
  MO

91

93

  FDN

34,5

34

  Amido

27

27

  PB

18

17

  EE

3,3

3,3

  CNF

36,5

40

Digestibilidades, %
  MO

69

64

  FDN

56,5

47,5

  Amido

87,3

88,7

  PB

65,5

63,0

  EE

70

64,5

Dieta C = sem adição de forragem

Dieta D = com adição de forragem

MO = Matéria Orgânica, FDN = Fibra em detergente neutro, PB = Proteína bruta, EE = Extrato Etéreo, CNF = Carboidratos não fibrosos,

O preço do “chute” na qualidade de forragem

Quanto a fazenda deixa de ganhar quando um consultor “chuta” o valor nutricional da forrageira para balanceamento de dietas ? Todos nós estamos acostumados a pegar um pouco de silagem, apertar, “chutar” o teor de MS e FDN e depois utilizar estes valores para realizar o balanceamento de dietas nas fazendas que prestamos consultoria. Você já pensou que esta decisão que você acabou de tomar em 5 minutos mais os 5 minutos gastos para “balancear” a dieta tem o maior impacto na parte financeira comparado a todas as outras funções que você irá realizar no resto do seu dia? Ou seja, gastamos 10 minutos da visita na variável de maior impacto do sistema (custo alimentar) e mesmo assim não temos certeza que tomamos a decisão correta, pois o valor nutricional da forragem foi um chute! Para entender um pouco mais sobre o impacto de uma melhor estimativa da qualidade da forragem no sistema, vamos analisar alguns dados de qualidade de forragem e simular o impacto da utilização de dados de análise de laboratório versus chute.

         Na tabela 1, podemos visualizar a variação na qualidade da silagem de milho ao longo da utilização em duas fazendas americanas comerciais no estado de Califórnia. Para melhor interpretação, na fazenda A,   120 dias após o fechamento do silo, o técnico coletou nove amostras da face do silo. O técnico retornou na fazenda depois de 15 dias (135) e coletou mais 9 amostras da face do silo. Os silos estavam sendo utilizados enquanto o experimento foi realizado. Portanto, os valores apresentados na tabela representam média de 4 faces do silo (cada face com 9 pontos). O mesmo procedimento foi realiza no fazenda B.

         O primeiro ponto muito importante que precisamos entender é que a qualidade da silagem é diferente em cada data de coleta (120 vs. 135 vs. 150 vs 180) para as duas fazendas. Portanto, mesmo a realização da análise da silagem somente 1 vez não irá proporcionar ao nutricionista retirar o maior beneficio que a forragem proporciona: diminuir o concentrado quando a parte do silo estiver boa (tirar leite mais barato) e aumentar quando estiver ruim (suprir o que a forragem não tem no momento). Nossa obrigação como nutricionista é utilizar o máximo possível de forragem e complementar a dieta com concentrado. Em outras palavras, nós temos que fazer bactérias chegar no intestino delgado e completar o restante da necessidade de proteína do animal com concentrado.

Podemos observar ainda que houve uma variação maior na porcentagem de FDN na fazenda 2 do que na 1. Em contrapartida, a variação na digestibilidade da FDN foi maior na fazenda 1 comparada a fazendo 2. Já a porcentagem de amido variou mais na fazenda 2 quando comparado a fazenda 1. Esta variação na qualidade possui inúmeras explicações: pontos onde ocorreu maior entrada de ar (melhor ou pior compactação), diferenças nos híbridos plantados e que foram ensilados juntos, diferenças na adubação, variação da máquina que cortou o milho para silagem, etc… O importante é entender que um silo não é um alimento com composição estável, a cada metro de utilização do silo a qualidade da forragem muda.

         Agora vamos partir para o próximo passo que é entender o que acontece quando eu “chuto” um valor para minha silagem e utilizo este durante todo o silo. Para comparar o resultado de uma silagem que o consultor realizou análise versus uma que os valores foram “chutados”, foi utilizado um software de balanceamento de dietas (AMTS, CNCPS 6.1). Dados para simulação foram: preço do leite R$1, peso 600 kg, DEL 100, 30 kg/dia.

No exemplo do chute na porcentagem de FDN, o consultor estimou 45% de FDN, mas a análise revelou que a silagem continha 40% de FDN. O consultor formula uma dieta para 30 kg de leite com silagem de milho contendo 45% de FDN e portanto tem que aumentar em quase 2 kg/vaca dia a quantidade de milho moído. Isto reflete em aumento de custo (12,33 vs. 11,69) e consequente redução no RSCA, aproximadamente R$0,5/vaca/dia. Em um rebanho de 100 vacas, isto significa R$50/dia ou R$1.500,00/mês.

Em um segundo exemplo analisamos a variação na digestibilidade do FDN da silagem de milho. O consultor “chutou” 25% e a análise revelou que a digestibilidade era de 30%. Desta maneira, com uma forragem que degrada menos o consultor teve que aumentar a quantidade de milho e diminuir a quantidade de silagem. Isto resultou novamente em perdas na rentabilidade do sistema.

O mesmo cenário pode ser observado quando houve erro na estimativa de amido e de digestibilidade de amido. Este exercício foi realizado utilizando somente um dia de análise (uma face) e assumindo chute em somente um parâmetro. Isto deixa claro que a variação na qualidade da silagem é a principal causa de erros no balanceamento da dieta que resultam em menos dinheiro na fazenda. A mesma variação certamente ocorre em silagem de milho, aveia, cana, etc..

Mas ainda assim existem pessoas que se denominam “laboratório portátil”, ou seja, capaz de fazer a análise com as próprias mãos na frente do silo. Bom, para ajudar estas pessoas, o Dr. Gary Oetzel, da Universidade de Wisconsin, fez um experimento com pessoas que se diziam capazes de identificar vacas com cetose através do cheiro de cetona que o animal exala. Ele visitou várias fazendas e identificou nas fazendas as pessoas que se diziam capazes. Ele colocava um número x de animais para esta pessoa identificar se havia caso de cetose ou não e ao mesmo tempo coletava sangue do animal para posterior análise de BHBA (marcador para cetose) no laboratório. Mais da metade das pessoas que se diziam capazes de identificar uma vaca com cetose estavam erradas sobre o diagnóstico. Ou falavam que o animal tinha cetose e não tinha ou falavam que não tinha e o animal tinha. Portanto, se você ainda se considera expert em identificar matéria seca e qualidade de silagem somente utilizando sua mão, tome muito cuidado, você estará errando mais da metade das vezes.

Mas qual a frequência recomendada de avaliação de forragens em fazendas comerciais? Tom tilutky, AMTS, publicou um artigo utilizando alguns modelos estatísticos e conclui que a análise semanal de forragem ainda possui o maior retorno sobre o investimento sobre todas as outras ferramentas disponíveis na fazenda. Dr. Normand St-Pierre, lançou recentemente um software que recomenda a frequência de análises levando em consideração: preço do leite, número de animais, preço da análise (Columbo Dairy Software). Nós acreditamos que um protocolo de análise mensal (doze análise no ano) pode proporcionar ao nutricionista extrair o máximo da qualidade da forragem e, portanto deixar mais dinheiro na fazenda. Em adição, Dr. Bill Weiss, da Universidade de Ohio, recomenda que a média móvel das duas últimas análises bromatológicas seja utilizada para balancear a dieta. Por exemplo, em uma rotina de análise mensal de forragem, a média dos valores do mês de julho e agosto seria utilizada para balancear a dieta de agosto.

Portanto, ficou claro que “chutes” na qualidade da forragem geram ao redor de R$0,50 por vaca dia de (considerar custo de variação em todos os nutrientes e potencial perda se quiser subir leite). O “chute” na qualidade de forragem pode resultar no aumento do concentrado (nos exemplo acima representado somente pelo milho) ou na queda da produção de leite (nos exemplos consideramos que mesmo errando o leite continuaria o mesmo).

Tabela 1 – Qualidade de forragem de duas fazendas americanas. Cortesia- Dr. John Miller – Diamond-V

Fazenda

DAF

MS

PB

FDA

FDN

DFDN

Amido

DAmido

A

120

31

7,3

29,8

44,4

24,0

30,0

89,3

 

135

31

7,4

27,9

42,6

26,9

30,7

84,7

 

150

32

7,4

28,4

41,9

24,3

31,1

89,5

 

180

34

7,0

28,0

44,6

19,3

30,8

85,6

 

B

105

33

7,0

29,5

45,6

31,4

29,7

89,0

 

140

32

7,3

28,5

44,3

39,0

31,0

91,5

 

165

30

6,8

27,9

43,5

32,1

33,4

86,5

 

190

31

6,8

25

41,1

29,5

34,8

85,5

DAF = dias após fechamento do silo, Damido = digestibilidade do amido em 12 horas, DFDN = digestibilidade do FDN em 30 horas.

Números são médias de 9 pontos diferentes da face do silo.

Tabela – 2. Simulação de retorno sobre custo alimentar em com forragens variando em qualidade.

Analisado vs. chute

Modificado

FDN

DFDN

Amido

DAmido

 

Analisado

Chute

Analisado

Chute

Analisado

Chute

Analisado

Chute

MS

30

30

30

30

30

30

30

30

PB

7

7

7

7

7

7

7

7

FDN

40

45

45

45

45

45

45

45

DFDN

30

30

30

25

30

30

30

30

FDA

28

28

28

28

28

28

28

28

Amido

30

30

30

30

35

30

30

30

DAmido

90

90

90

90

90

90

90

85

 

Kg MS/dia

Feno

1

1

1

1

1

1

1

1

Silagem milho

12

10,1

10,1

8,8

10,9

10,1

10,1

9,5

Milho moído

4

5,9

5,9

7,2

5,1

5,9

5,9

6,5

Caroço algodão

2

2

2

2

2

2

2

2

Farelo de soja

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

 

Leite, kg/dia

30,3

30,3

30,3

30,3

30,3

30,3

30,3

30,3

RSCA, R$/dia

18,64

17,98

17,98

17,56

18,26

17,98

17,98

17,56

Custo alimentar, R$/vaca/dia

11,69

12,33

12,33

12,77

12,06

12,33

12,33

12,76

RSCA = retorno sobre custo alimentar ((preço do leite * leite produzido) – custo alimentar/vaca/dia))